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VATICANO: 15/12/2005
Paz
Terrorismo e corrida armamentista ameaçam a paz, denuncia Papa

Bento XVI denuncia a ameaça à paz circunscrita hoje pelo terrorismo e a corrida armamentista -em particular se são armas nucleares-, em sua primeira mensagem por ocasião da Jornada Mundial da Paz. A celebração, que foi convocada pela primeira vez por Paulo VI em 1968, acontecerá em 1 de janeiro de 2006, com o lema: “Na verdade, a paz”. Como seus imediatos predecessores, o pontífice escreveu para esta ocasião uma mensagem, apresentada à imprensa esta terça-feira no Vaticano pelo cardeal Renato R. Martino, presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”.

O texto explica em que consiste a verdade da paz e quais são suas atuais ameaças. “Há que recuperar a consciência de estar unidos por um mesmo destino, transcendente em última instância, para poder avaliar melhor as próprias diferenças históricas e culturais, buscando a coordenação, em vez da contraposição, com os membros de outras culturas”, sugere o bispo de Roma. A paz, declara, não é “simples ausência de guerra”, mas “convivência de todos os cidadãos em uma sociedade governada pela justiça, na qual se realiza no possível, também, o bem para cada um deles”.

“A verdade da paz chama todos a cultivar relações fecundas e sinceras, estimula a buscar e percorrer a via do perdão e da reconciliação, a ser transparentes nas negociações e fiéis à palavra dada”. A verdade da paz, declara, tem vigência “inclusive nas situações trágicas de guerra”, pois quando esta estoura, “nem tudo é lícito entre os adversários”. Por este motivo, a carta apóia decididamente o direito internacional humanitário e sublinha que “é preciso garantir sua correta aplicação, atualizando-o com normas concretas capazes de fazer frente aos cenários variáveis dos atuais conflitos armados, assim como ao emprego de armamentos novos e cada vez mais sofisticados”.

Ao analisar as ameaças atuais à paz, a mensagem papal menciona antes de tudo o terrorismo. “Pretender impor a outros com a violência o que se considera como a verdade significa violar a dignidade do ser humano e, em definitivo, ultrajar a Deus, do qual é imagem”, declara citando uma famosa frase de João Paulo II. Após mostrar como nas raízes do terrorismo se encontra o niilismo (que nega a existência ou a presença de Deus) ou o fundamentalismo fanático (que “desfigura seu rosto benevolente”), Bento XVI considera que para extirpar esta praga é necessário não só ter em conta “razões de caráter político e social”, mas também “as mais profundas motivações culturais, religiosas e ideológicas”.

A outra ameaça global à paz constatada pela mensagem papal é o sinal de contradição “dos governos que se apóiam nas armas nucleares para garantir a segurança de seu país”. “Em uma guerra nuclear não haverá vencedores, mas só vítimas -adverte-. A verdade da paz exige que todos -tanto os governos que de maneira declarada ou oculta possuem armas nucleares, como os que querem procurá-las- invertam conjuntamente sua orientação com opções claras e firmes, encaminhando-se para um desarme nuclear progressivo e concordado”.

“Os recursos poupados deste modo poderão ser empregados em projetos de desenvolvimento em favor de todos os habitantes e, em primeiro lugar, dos mais pobres”, propõe. Neste sentido, a mensagem manifesta a “amargura” do Papa ante “os dados sobre um aumento preocupante dos gastos militares e do comércio sempre próspero das armas, enquanto ficam como estancado no pântano de uma indiferença quase geral o processo político e jurídico empreendido pela Comunidade Internacional para consolidar o caminho do desarme”.

O desejo mais profundo do Papa é que “a Comunidade Internacional saiba encontrar a valentia e a prudência de impulsionar novamente, de maneira decidida e conjunta, o desarme, aplicando concretamente o direito à paz, que é próprio de cada homem e de cada povo”.

Zenit

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