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ZIMBÁBUE: 24/06/2005
Denúncia
Bispos preocupados com as famílias
desalojadas pelo governo
Os bispos de Zimbábue voltam a falar do problema
dos desabrigados do país, numa carta pastoral intitulada "O
pranto dos pobres". No documento, os bispos criticam, em especial,
a operação do governo "para restaurar a ordem".
Essa operação teve início no dia 19 de maio e consiste
na demolição dos barracos dos bairros pobres das principais
cidades do país. Segundo o governo, a medida serve para liberar
as cidades do mercado ilegal e das construções abusivas.
Além da capital, Harare, a operação
envolve mais outras oito cidades. O problema, no entanto, é que
o governo destrói as casas e não reconstrói as habitações,
ou seja, as pessoas ficam ao relento. Sem contar que, com o inverno, a
temperatura à noite chega a 6º graus centígrados. "Um
número incalculável de homens e mulheres, com recém-nascidos,
crianças em idade escolar, idosos e doentes continuam a dormir
ao relento, passando frio" - escrevem os bispos.
"Essas pessoas necessitam urgentemente de reparo,
alimento, roupas e medicamentos. Justificar a operação por
motivos de ordem pública é totalmente infundado, diante
dos meios cruéis e desumanos que foram usados para realizá-la.
Antes de destruir as casas, era necessário providenciar alojamentos
e fontes alternativas de renda" - afirma a Igreja.
O Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, designou
uma enviada especial - a tanzaniana Anna Kajumolo Tibaijuka - para investigar
os abusos cometidos pela polícia, durante essa operação.
A polícia deteve pelo menos 20 mil pessoas, de maio até
hoje. Segundo as Nações Unidas, cerca de 200 mil pessoas
foram desalojadas de suas casas.
Radio Vaticano
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