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ARÁBIA SAUDITA: 10/11/2006
Vida Eclesial
Católicos quadruplicam desde 1974
O professor de História e Pensamento da Faculdade
de Humanidades e Ciências da Comunicação da Universidade
CEU San Pablo, José Luis Orella, alertou hoje do aumento de católicos
na Arábia Saudita, que passaram de 200 mil em 1974 a 800 mil atualmente,
quatro vezes mais, apesar da proibição do culto cristão
no país. "A Arábia Saudita, como protetora dos Santos
lugares islâmicos, e sob o rigor interpretativo do 'wahabismo',
proíbe de maneira total qualquer tipo de manifestação
ou símbolo cristão no país", asseverou o professor.
Conforme detalhou em declarações a Europa Press, os mais
de três milhões de cristãos que vivem na Península
Arábica são de, pelo menos, cem nacionalidades diferentes,
embora em sua maior parte procedam das Filipinas, Índia, Paquistão,
Etiópia, Eritréa, Sudão e Egito.
Para a repressão do culto católico existe
na Arábia um policial especial, a "mutawa", "verdadeiro
terror dos imigrantes, aos quais acossa cruelmente", afirmou Orella,
que relatou que "qualquer livro ou objeto que possa ser qualificado
de cristão é requisitado e atirado no lixo, com o encarceramento
do 'agressor'". "Os sacerdotes que mantêm o culto clandestino,
têm que possuir documentos como se fossem técnicos das numerosas
empresas que trabalham no país árabe. As missas só
podem ser celebradas nos recintos diplomáticos e qualquer lugar
habilitado em segredo pode ser desmantelado e seus ocupantes detidos",
acrescentou o especialista. Neste sentido, segundo os dados de Anistia
Internacional, 329 cristãos tinham sido detidos por diversos motivos
entre 1990 e 1993. Um deles, Donato Lama, preso em outubro de 1995 sob
a acusação de evangelizar, foi condenado a setenta chicotadas
e 18 meses de prisão, até sua expulsão para as Filipinas.
Em 1984, outros dois filipinos, Ruel Janda e Amel Beltrán,
foram decapitados. Mais recentemente, em abril de 2005, quarenta paquistaneses
foram detidos por ouvir Missa de maneira clandestina em um apartamento.
Entretanto, o professor Orella se referiu a Arábia Saudita, como
"a exceção", dado que tanto o xeque de Emirados
Árabes Unidos, como o emir de Qatar, o rei de Bahrein e o sultão
de Omã "procuraram ter boas relações com o Vaticano,
e nos últimos anos do século XX têm aberto suas relações
diplomáticas com ele". "A Igreja Católica tem
um vicariato para a Arábia, onde se incluem a todos os países
da península, para poder organizar da melhor maneira possível
a ajuda espiritual que necessitam estes cristãos recém chegados.
A capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dabi é a sede
do vicariato e onde se puderam construir meia dúzia do Igrejas,
como em Omã, onde foram construídas quatro e outra em Bahrein",
explicou.
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