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BOLÍVIA: 11/12/2006
Direitos Humanos
Começa a Cúpula Social de Integração
dos Povos
Direitos sociais e do trabalho, agricultura auto-suficiente,
meio ambiente, água, militarização, impunidade, cidadania.
São muitas as demandas que começaram a ser tratadas dia
6, durante a Cúpula Social pela Integração dos Povos,
que acontece em Cochabamba, na Bolívia, reunindo centenas de representantes
de movimentos sociais de vários países da América
do Sul. Todos estes assuntos serão debatidos enquanto paralelamente
acontece a reunião de Presidentes da Comunidade Sul-americana de
Nações. O encontro entre as duas partes é uma das
ocasiões mais esperadas deste período, já salientado
pelo presidente boliviano, Evo Morales.
Todos os temas estarão distribuídos
em cinco grupos temáticos:
- recursos naturais, água, terra; Agenda social
(que inclui temas como saúde, educação, trabalho,
migrações e segurança social); democracia e militarização
(incluindo os temas sobre direitos humanos, violência e impunidade);
energia; e povos indígenas. "Na atualidade, os países
da América do Sul contam com soberania formal, mais baixa autonomia
real, pois dependem dos mercados internacionais para vender seus produtos
básicos. São as organizações de crédito
que definem sua política econômica e as bolsas estrangeiras
fixam o preço de suas matérias primas", afirma o texto
de apresentação do encontro. Salientando, assim, que o único
caminho que resta para todos os países nesta situação
é a união e a articulação entre eles para
que seja possível estabelecer uma instância política
comum.
Assim como afirma Antonio Duran, representante do Conselho
de Defesa da Bacia do Rio Pilcomayo, uma das muitas organizações
que ajudaram a formular a programação do evento, a expectativa
é que esta cúpula seja de grande relevância para todos
os setores. Para muitos, o encontro poderá definir e trazer à
tona todos os problemas, preocupações, crises e possíveis
soluções para uma região rica, mas que ainda expressa
consideráveis desigualdades sociais. Trata-se, afirma a organização
do evento, de um momento especial onde será refletida a realidade
de uma região que contabiliza mais de 376 milhões de habitantes.
E quando o assunto é integração, reafirmar e exercer
a soberania dos países da América do Sul é o primeiro
passo, segundo a Aliança Social e o Movimento Boliviano pela Soberania
e Integração dos Povos, é o primeiro passo a ser
dado.
"No mundo do século XXI não
cabem opções soberanas para os países pequenos, os
quais têm duas opções:
- ou construir com seus iguais espaços maiores
que por seu tamanho sejam capazes de aspirar a soberania no século
que se inicia, ou o destino de ficar como vassalos subservientes dos Estados
Unidos", ressalta. A opção da integração
também é defendida por vários pesquisadores. Eduardo
Gudynas, por exemplo, do Centro Latino-americano de Ecologia Social do
Uruguai, afirma que "a recuperação da autonomia das
nações semi-anulada pelo neoliberalismo passa necessariamente
pela coordenação regional efetiva, isso levando em conta
os aspectos da política, da produção e da macro-economia".
Em suas atividades, a Cúpula espera nutrir o fortalecimento da
sociedade civil frente aos avanços desse acordos em toda a região
da América Latina. Para isso, a Alternativa Bolivariana para as
Américas (Alba), na Venezuela e o Tratado de Comércio dos
Povos (TCP), na Bolívia, são alguns dos trajetos que serão
apontados como solução. Enfim, o evento que mostrar que
outra integração é possível.
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