| PIME-Net
LIBÉRIA: 13/10/2006
Violencia
Alarme pelos “Issakaba Boys”,
que dominam as ruas da capital liberiana
Nos últimos dez meses, o bando dos “Issakaba
Boys”, nome inspirado em uma série de televisão nigeriana,
está aterrorizando os habitantes de Monróvia. A maior parte
de seus integrantes são ex-combatentes insatisfeitos com o tratamento
recebido no âmbito do processo de reintegração. O
bando, armado de machados, assalta e saqueia freqüentemente, mutilando
quase sempre suas vítimas. No início de setembro, o Ministro
da Justiça encorajou a população a constituir grupos
de auto-defesa, (“esquadrões de observação
comunitários”, ou “grupos de vigilância”),
com o objetivo de limitar os ataques. A Presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf
(primeira mulher Chefe-de-Estado na África), declarou estar “consciente
de que diversos cidadãos não estão satisfeitos com
os resultados obtidos nos primeiros oito meses da Presidência -
mas, acrescentou - sabemos muito mais do que os membros deste bando imaginam
que saibamos suas intenções.
Nossas agências de segurança os observam
de perto e tomarão as medidas necessárias quando a hora
chegar”. As forças de segurança liberianas estão
sofrendo um processo de formação administrado por Estados
Unidos, Gana, Nigéria e China. Em junho, o embargo de armas foi
parcialmente retirado, com o fim de poder distribuir pistolas à
polícia. A UNMIL (Missão das Nações Unidas
na Libéria), declarou também ter reforçado as patrulhas
da polícia das Nações Unidas em Monróvia.
Atualmente, estão presentes na Libéria 15 mil “capacetes
azuis” da ONU, aos quais se somam 2.500 policiais liberianos, que,
até o momento, estão desarmados. Sua formação
é administrada por alguns países (entre os quais a Índia,
que enviou uma divisão feminina para treinar as policiais locais),
e por algumas empresas particulares de segurança. A guerra civil
liberiana, que se encerrou em meados de 2003, deixou cerca de 60 mil combatentes
armados.
Não obstante o programa de desarmamento, atuado
pelas Nações Unidas, existem ainda muitas armas em circulação
no País. diversos ex-combatentes transformaram-se em bandidos,
mesmo porque não é fácil para eles serem inseridos
na sociedade civil. As organizações que se ocupam de direitos
humanos estão ainda preocupadas pelo fato que o governo promova
a justiça popular. Segundo elas, a difusão de grupos de
auto-defesa pode incrementar a o nível de violência na Libéria,
sem resolver o problema desde suas raízes. Desemprego e pobreza
continuam a levar muitos jovens a praticar atividades criminosas. Na Nigéria,
onde os grupos de auto-defesa foram criados em 2001 pelas administrações
provinciais, a violência urbana não se reduziu. Ao contrário,
o grupo dos “Bakassi Boys”, por exemplo, representado no filme
que inspirou o bando de Monróvia, foi acusado por Anistia Internacional
de praticar mais de mil execuções sumárias.
Fides
Home-page
© 2006 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |