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MALAUÍ: 08/11/2006
Igreja Missionária
“Os dois momentos importantes da celebração
do dia das missões inspirados na pregação de Bento
XVI”, afirma à Fides o Pe. Gambá
“Dois momentos importantes caracterizaram a celebração
do Dia das Missões 2006 em Malauí”, afirma à
Agência Fides o Pe. Piergiorgio Gamba, missionário monfortino,
que atua há anos no país africano. “Esses momentos
são o resultado de um longo caminho que quis deixar-se provocar
pelas sugestões que o Papa Bento XVI apresenta com tanta paixão”,
afirma o missionário.
Eis a narração do Pe. Gamba sobre
a celebração do Dia mundial:
“O primeiro momento é inspirado na encíclica
“Deus Caritas est”, Deus é amor. Em um altiplano que
se alcança após três horas de caminhada na floresta,
vivem cerca de 10 mil pessoas, agrupadas em 19 vilarejos. Chama-se Chaoni
e se encontra na diocese de Zomba, em Malauí. A grande maioria
das pessoas, todos agricultores, pertence à tribo Ayao e é
muçulmana.
A minúscula comunidade cristã conta-se
em poucas mãos:
- são 45 cristãos, dos quais 29 catecúmenos.
Há dez anos, eles iniciaram a construção de sua pequena
igreja, que nunca conseguiam concluir. Na montanha não há
areia e o cimento deveria ser carregado nas costas. Sem uma igreja, era
impossível apresentar-se ao mundo islâmico. Impressionados
com o testemunho de fé desta pequena comunidade cristã,
que vivia a sua fé na sombra da grande árvore e ali permanecia
inclusive quando as monções se abatiam e inundavam todo
o altiplano, os cristãos quiseram estar próximos desses
irmãos e irmãs. Foi uma grande manifestação
de solidariedade que durou meses.
O que estava sendo construído não
era mais uma pequena igreja de tijolos: - estava nascendo uma
família.
Uma história comovente:
- os cristãos que constroem suas casas, a casa
de Deus. Ao lado, também foi aberto uma pequena livraria para entrar
em diálogo com os 19 vilarejos do altiplano. Quando, durante o
encontro, o jovem que freqüenta a escola lentamente repetiu as palavras
do Papa traduzidas em língua local e que conta que Deus é
amor, e que a nossa vocação é o chamado a ser o Bom
Samaritano, todos disseram: “Esta é a nossa história”.
No próximo dia 5 de novembro, a igreja será abençoada
pelo bispo Dom Thomas Msusa de Zomba. O segundo momento foi marcado pelo
diálogo com as Igrejas cristãs. A pequena cidade de Balaka
conta dezenas de igrejas. Grandes e pequenas, pobre como uma cabana ou
catedrais. Pertencem ao arco-íris da fé. Durante anos, vivemos
lado a lado sem nos encontrar. Fomos hábeis em nos evitar e, às
vezes, também em fazer guerra. Este ano será diferente.
Todos os cristãos, na semana missionária
(de 22 a 28 de outubro), participaram de uma peregrinação
comum. Todos os dias foram a uma igreja diferente para a oração
e a escuta da Palavra. A semana teve início com o encontro em uma
igreja Presbiteriana, e depois prosseguiu com encontros nas igrejas da
Assembléia do Senhor, dos Adventistas do Sétimo Dia, dos
Anglicanos, dos Pentecostais, na Igreja do Nazareno, na Igreja Evangélica
Luterana e, por fim, na igreja Católica. Esta peregrinação
lança um sinal importante, porque as diversas confissões
cristãs revezaram a condução da oração:
na igreja católica, pregou o pastor protestante; naquela Anglicana,
uma reverenda dos Pentecostais. As jovens igrejas africanas são
exemplares em celebrar este dia. Será, talvez, a experiência
de sentir-se parte do mundo, de uma realidade que podemos ajudar a mudar....
é certamente vivida com grande convicção e festa.
As igrejas da África, na vigília da retomada do Sínodo,
estão, portanto, muito vivas.
Fides
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