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SRI LANKA: 22/06/2006
Guerra Civil
Bispo acusa marinha oficial pelo massacre em uma igreja

Mais de 3.000 civis estavam refugiados na paróquia católica de Pesalai (Sri Lanka), atacada com granadas no sábado. Os militares culpam os rebeldes tâmeis pela agressão, mas o bispo local e os fiéis assinalam os homens da marinha. Dos fatos ocorridos no distrito setentrional de Mannar, faz-se porta-voz a agência especializada no contexto asiático “AsiaNews” (do Instituto Pontifício de Missões). A mesma informa de que no dia 17 de junho um grupo de soldados lançou uma ou mais granadas dentro da igreja de Nossa Senhora da Vitória; uma mulher de 70 anos morreu, e mais de quarenta pessoas ficaram feridas. O porta-voz do exército apontou os rebeldes dos “Tigres de Libertação da Pátria Tâmil” (LTEE, em suas siglas) como culpados da agressão.

O bispo de Mannar, Dom Rayappu Joseph, está em desacordo:

“Não havia homens do LTEE quando os marinheiros do governo corriam enlouquecidos pelo lugar”.

Falando com a agência do PIME, um sacerdote da diocese expressou:

“Segundo fontes fidedignas, a granada foi lançada dentro da igreja por um membro da marinha militar”.

Naquela mesma manhã, perto de Pesalai, ao longo das costas de Mannar, produziram-se fortes confrontos entre as forças da marinha e os LTTE; os conflitos causaram trinta baixa sem ambas partes. “A batalha estava se produzindo no mar, enquanto os civis foram atacados na igreja, que se encontra perto da costa, mas não na praia”, declarou o citado sacerdote. “Os combates no mar duraram menos de meia hora, mas foi imediata a vingança dos homens da marinha na população civil do lugar”, apontou Dom Rayappu Joseph, recém-chegado de Pesalai, segundo citam as páginas de “Avvenire” do domingo. “Quando os combates já haviam terminado, um grupo de marinheiros começou a disparar contra os pescadores do povoado, matando cinco deles”; “mas o pior foi quando os marinheiros atacaram a golpe de granada a igreja de Nossa Senhora da Vitória, em cujo interior há dias se haviam refugiado ao menos três mil habitantes”, lamentou.

A agência do PIME lembra que na quinta-feira passada, como represália por um suposto atentado dos LTTE contra a comissária de Pesalai, a polícia bombardeou a povoada localidade. Uma das casas afetadas pertencia à família do Pe. Jeyabalan Cross, sacerdote da diocese de Manar. Após o ataque, sua família “estava aterrorizada, e desde então passa a noite na igreja”, reconheceu “Asia News”. O Pe. Cross é pároco de Illupaikulam, distrito de Vavuniya, limítrofe com o de Anuradhapura, onde também na quinta-feira morreram 64 civis no que se considera como o atentado mais sangrento desde o “cessar-fogo” firmado entre as partes em conflito em 2002. O governo culpa os LTTE; estes se declaram alheios ao corrido. Mas também em Illupaikulam as pessoas têm terror. “Estamos perto de um povo cingalês; todos temem possíveis vinganças e à noite quase todo o povo vai dormir na igreja”, relatou o Pe. Cross.

Os combates prosseguiram durante todo o final de semana, dando um balanço de vítimas superior a cinqüenta. Na segunda-feira pela manhã, o porta-voz político dos LTTE, S.P. Thamilselvan, declarou que se o governo continuar atacando e bombardeando o norte, os tâmeis se defenderão com todos os meios a seu alcance, incluindo o terrorismo suicida, e atacarão a ilha por todas os lados, incluindo a capital, Colombo. “Temo que a guerra comece antes do que imaginamos. Que Deus nos ajude!”, alertou o Pe. Cross. O combate dos LTTE pela independência no norte e leste do país estourou em 1983.

O resultado:

- a perda de 65 mil vidas, um milhão de desabrigados e um extenso dano a lares e infra-estruturas públicas, além do receio entre diferentes etnias e comunidades religiosas. O confronto entre cingaleses -a maioria de religião budista- e a minoria tâmil -hinduístas, que submergiu a pequena ilha do subcontinente indiano em duas décadas de guerra civil, prosseguiu até a firma do citado “cessar-fogo” desde fevereiro de 2002, mas as violações desse acordo continuam acontecendo.

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