| PIME-Net
ÁFRICA: 12/12/2007
Escravidão
“Pedimos-lhes que respondam aos males das escravidões de
nossos tempos”
“A escravidão persiste ainda hoje, de modo
mais imperceptível, e o constatamos vendo como são tratados
os migrantes, trabalhadores imigrantes, crianças que trabalham,
ou mulheres e menores vítimas do tráfico de seres humanos.
Se a parceria entre Europa e África quiser levar a justiça
social e o desenvolvimento integral humano a todos, pedimos-lhes que afrontem
os males destas novas formas de escravidão, de nossos tempos”.
Assim, os Bispos da África e da Europa apelaram
aos Chefes de Estado e de Governo dos dois continentes, em uma Carta,
entregue durante a Cúpula Europa-África, que se realizou
entre os dias 8 e 9 em Lisboa, Portugal. A Carta foi escrita durante o
encontro dos Bispos europeus e africanos, que se realizou em novembro,
em Gana. Os Bispos dos dois continentes recordam que este ano celebram-se
200 anos da abolição da escravidão na África
ocidental, e sugerem aos líderes políticos africanos e europeus
que adotem medidas para combater as modernas formas de escravidão.
Entre estas, estão:
- combater o tráfico de seres humanos; por fim
à contínua exploração dos recursos africanos,
materiais e humanos (de modo especial, os Bispos evocam o problema da
“fuga intelectual” e de pessoal médico do continente);
empenhar-se para alcançar os objetivos do Milênio (o programa
da ONU para erradicar a pobreza até 2015); perseguir o bem comum
e o bom governo e lutar contra a corrupção; reconhecer a
contribuição dos migrantes para o desenvolvimento dos países
anfitriões e das remessas dos trabalhadores estrangeiros para sustentar
as famílias que permanecem em seus países de origem. Na
Cúpula de Lisboa, 27 países da União Européia
e 53 países africanos criaram uma “parceria estratégica”
sobre questões econômicas e de desenvolvimento, e sobre problemas
relativos à segurança, migrações, mudanças
climáticas, e energia. O acordo visa criar uma relação
“entre semelhantes”, fundado em 8 itens, alguns dos quais
evidenciados pelos Bispos em sua Carta.
Entre estes, estão:
- emigração, com a proposta de criar um
“pacto sobre a imigração”, para administrar
em conjunto os fluxos migratórios africanos na Europa; paz e segurança;
bom governo (luta contra a corrupção, a tortura, o tráfico
de drogas e de seres humanos, e uma melhor gestão dos recursos
naturais); comércio e integração econômica,
para ajudar a África a produzir mercadorias que sejam competitivas
nos mercados internacionais. Sobre este ponto, houve algumas divergências
sobre as negociações para os novos Acordos de Parcerias
Econômicas, em substituição dos velhos acordos de
Lomé. A maior parte dos Países africanos rejeita a perspectiva
de criar em 2025-2030 uma área de livre comércio entre os
dois continentes, pois poderia destruir a frágil economia africana.
O Presidente da Comissão Européia, Manuel Barroso, prometeu
dedicar mais tempo para as negociações sobre os acordos
APE, mas recordou que os acordos provisórios devem ser assinados
até o fim deste ano, para evitar conseqüências negativas
nos intercâmbios comerciais entre os dois continentes.
Fides
Home-page
© 2007 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |