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ARGÉLIA: 14/12/2007
Violência
“Quiseram atingir a ONU e a busca da paz”, disse a Fides à
porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados
“A nossa impressão é que
quiseram atingir o símbolo das Nações Unidas e com
isso aquilo que a ONU representa:
- a busca da paz e a assistência às vítimas
da violência”, disse Laura Boldrini, porta-voz do Alto Comissariado
da ONU para Refugiados (ACNUR), à Agência Fides, comentando
o duplo atentado em Argel de anteontem, 11 de dezembro.
Em dois distintos ataques, foram atingidos os edifícios
da Corte Constitucional argelina e o edifício onde funcionam os
escritórios das Nações Unidas. “Quando um carro-bomba
explode contra um edifício onde funcionam os escritórios
das Nações Unidas, parece-me evidente que se procurou atingir
quem trabalha para a paz”, continua a porta-voz do ACNUR. Laura
Boldrini confirma que houve duas vítimas dentre os funcionários
da sua organização, dois motoristas de nacionalidade argelina.
“Neste momento posso somente fornecer os dados relativos ao pessoal
de nosso escritório, e tivemos dois mortos e alguns feridos. No
que se refere ao total de vítimas, não temos notícias
precisas”. Além daquelas do ACNUR, existem também
vítimas dentre o pessoal do Programa de Desenvolvimento das Nações
Unidas (PNUD).
No geral, as vítimas da ONU seriam uma dezena,
enquanto continua ainda incerto o número total dos mortos. Segundo
as autoridades argelinas, haveria 30 mortos, enquanto fontes dos hospitais
afirmam que são 67 as vítimas fatais. O jornal argelino
“El Watan” fala de um balanço total de 72 vítimas.
“Os nossos escritórios em Argel são integrados por
14 pessoas, incluindo as nossas duas vítimas. Além de Argel,
trabalhamos em Tindouf, onde há cerca de 150 mil refugiados sahawari.
Fornecemos assistência a 90 mil pessoas, as mais necessitadas. Outra
nossa tarefa é a de mantermos unidas as famílias dispersas
entre os campos de Tindouf e do Saara ocidental”. Os saharawi são
os habitantes do Saara ocidental, uma antiga colônia espanhola invadida
pelo Marrocos em 1976 e que, desde então, reivindica a sua independência.
“Em Argel damos assistência também
a mil pessoas provenientes da República Democrática do Congo,
dos Camarões e da Costa do Marfim”, recorda a porta-voz do
ACNUR. “Não é a primeira vez que os nossos escritórios
são atingidos. Por exemplo, há alguns anos foi assaltada
a nossa sede no Timor Leste, que trabalhava para favorecer o retorno dos
refugiados às suas casas”, conclui Boldrini. “É
uma tragédia e gostaria de exprimir minhas condolências mais
sentidas aos funcionários das Nações Unidas, às
suas famílias e ao povo argelino, todos vítimas deste ataque
absolutamente intolerável”, afirmou Antonio Guterres, Alto
Comissário da ONU para Refugiados. O duplo atentado foi reivindicado
pelos militantes de Al Qaeda no Maghreb islâmico.
Fides
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