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BRASIL: 14/12/2007
Ecologia
Pastoral diz que obras de transposição não foram
paralisadas e cobra postura firme da Igreja
O representante da Comissão Pastoral da Terra
(CPT) na Bahia e coordenador da articulação popular pela
revitalização do São Francisco, Rubens Siqueira,
disse hoje (12) à Agência Brasil que a manutenção
da greve de fome do bispo de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio,
é compreensível diante da falta de garantias quanto à
paralisação das obras de transposição do rio.
“Dom Luiz está na expectativa dos desdobramentos da liminar.
Até agora, um dia e meio depois da decisão [liminar concedida
pelo desembargador Antônio Souza Prudente, Tribunal Regional Federal
da 1.ª Região], ela não foi cumprida. A notícia
que temos é que continuam as obras e, inclusive, foi reforçado
o efetivo de soldados na região”, argumentou Siqueira. Segundo
o coordenador da pastoral, ao anunciar a intenção de recorrer
da liminar.
O governo federal sinalizou que não pretende atender
às reivindicações do bispo e de movimentos populares
que apóiam o protesto. Siqueira se mostrou preocupado com o estado
de saúde de dom Cappio. “Sabemos da determinação,
da clareza e da lucidez com que ele está fazendo esse embate, com
a intenção de ir até o fim. A preocupação
é pelo pior”. Na avaliação da CPT, a Igreja
Católica deveria adotar uma posição mais firme, e
se mostrar contrária à forma como se conduz o projeto da
transposição do São Francisco. “A igreja está
muito reticente e duvidosa. Mesmo que ela não se pronuncie a respeito
do jejum, não há dúvida de que deveria ser mais crítica
diante de uma postura totalitária do governo frente à decisão
judicial. Há um amordaçamento geral não só
na igreja, mas na própria sociedade. Estamos em uma ditadura branca
e até agora ninguém colocou o dedo na ferida”, afirmou
Siqueira.
Enquanto dirigentes da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) pediram hoje (12) ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva a retomada de estudos sobre a transposição
do Rio São Francisco, o representante da CPT afirmou que o projeto
não está sendo bem explicado para a população
local. “A verdade do projeto não se discute, se esconde,
pois se for revelada, o povo potencialmente beneficiário vai ser
contra, porque vai pagar a conta da água usada nos grandes empreendimentos.”
Para Siqueira, a transposição proposta favorece apenas criações
de camarão e fruticultura irrigada, não tendo como prioridade
a água para consumo humano ou para melhorar a condição
de produção dos sertanejos. O melhor caminho, segundo ele,
seria a exploração sustentável das terras, do clima,
da energia solar e da água para o desenvolvimento do semi-árido.
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