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CONGO BRAZZAVILLE: 22/10/2007
Jovens
“Formação dos jovens, ajuda à família
e justiça social: são as nossas prioridades”
“A formação dos jovens e a família
são a primeira preocupação da Igreja na República
do Congo”, afirma à Agência Fides Dom Louis Portella
Mbuyu, Bispo de Kinkala e Presidente dos Bispos da República do
Congo (Congo Brazzaville), que se encontra em Roma para a Visita ad Limina.
“É preciso enquadrar as perspectivas da Igreja na atual situação
do país, que deve fazer frente aos problemas derivantes das três
guerras civis dos últimos 15 anos e, mais recentemente, às
conseqüências de um longo período de marxismo, que marcou
profundamente o país, em particular os jovens”, afirma Dom
Portella. “A nossa primeira preocupação como Igreja
é, portanto, a formação dos leigos e da juventude.
Necessitamos formar os futuros dirigentes que deverão estar presentes
nos locais de decisão”, afirma o Presidente da Conferência
Episcopal Congolesa.
“Ao lado disso, queremos apoiar a família,
como local da educação primária dos jovens. Devemos
construir famílias que ajudem os jovens a crescer humanamente,
espiritualmente e moralmente”. Um dos desafios que a Igreja no Congo
deve enfrentar é a difusão dos novos movimentos religiosos.
“Nos últimos anos - afirma Dom Portella - assistimos ao crescimento
das seitas evangélicas, muitas das quais originárias dos
Estados Unidos. Os fiéis das nossas igrejas são sempre mais
atraídos por essas correntes religiosas. A resposta pode ser somente
uma sólida formação dos fiéis e uma maior
proximidade às pessoas. Devemos aumentar a coesão das nossas
comunidades para fazer de modo que as pessoas não vivam isoladas
e se deixem atrair pela propaganda desses movimentos.” “A
questão da formação diz respeito não somente
aos leigos, mas também ao clero”, prossegue Dom Portella.
“Diante do aumento das vocações,
necessitamos de professores qualificados nos nossos seminários,
que ajudem os futuros padres a amadurecer em nível humano, espiritual,
intelectual e pastoral. Temos 400 sacerdotes no Congo, um número
significativo, mas que ainda é inferior em relação
à demanda. Um boa parte dos padres é jovem e devemos continuar
a acompanhá-los em seu caminho sacerdotal.” O Congo Brazzaville
vive a contradição de ser um país pobre, mas rico
de recursos naturais, em particular o petróleo. A Igreja sempre
atuou por uma maior justiça social. “Dede 2002 - recorda
Dom Portella - realizamos um seminário de estudo sobre a utilização
dos lucros do petróleo para o bem comum. No final, lançamos
uma mensagem à nação, na qual sugerimos soluções
para uma melhor compartilha das riquezas da nação.
O nosso principal pedido é uma maior transparência
na gestão das rendas do petróleo. No início, houve
algumas incompreensões por parte de alguns setores da política,
que consideravam que a Igreja estivesse interferindo em coisas que não
lhe dizem respeito. Mas aos poucos a nossa mensagem foi acolhida e, por
parte do Estado, houve uma abertura. Agora o Estado está comprometido
na transparência das indústrias de extração.
Foi criada uma comissão especial, da qual fazem parte representantes
da Igreja e da coalizão “Publiquem o que pagam”, que
depois de mil dificuldades foi acolhida nessa estrutura.” “Publiquem
o que pagam é um movimento internacional que pede às multinacionais
do petróleo que publiquem a quantia que dão aos Estados
produtores para comprar seu petróleo.
“A justiça social é um problema
dramático no nosso país:
- 70% da população vive abaixo da linha
de pobreza. Como Igreja, devemos estar ainda mais atentos a esse drama”,
conclui o Presidente dos Bispos congoleses.
Fides
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