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CORÉIA DO NORTE: 15/02/2007
Igreja e Politica
Igreja e sociedade aplaudem freada da corrida norte-coreana de armamento nuclear

Ainda com «luzes e sombras», o acordo assinado na terça-feira para o desarmamento atômico norte-coreano foi acolhido com satisfação pela Igreja no país e pela sociedade civil. Estes suspiros de alívio -- difundidos em meios internacionais -- aplaudem o pacto levantado em Pequim sobre a detenção do programa militar nuclear norte-coreano, fruto das negociações que incluíram a Rússia, Japão, Estados Unidos, China e as Coréias. A agência «Fides», da Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos, não omite que Pyongyang sublinhou que o acordo prevê uma «suspensão das atividades», não sua interrupção definitiva. Tal acordo contempla que em 60 dias Pyongyang levará a cabo os procedimentos para a parada das instalações, em particular de seu único reator de yongbyon; receberá em troca imediatamente 50 mil toneladas de combustível -- ou o equivalente em fundos ou em ajuda alimentar.

A Coréia do Norte igualmente aceita proporcionar um inventário -- em troca de mais fontes energéticas -- das quantidades de plutônio que possui, e permitir as inspeções da Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA). Pouco depois da assinatura do acordo, chegou da Igreja Católica na Coréia a expressão de sua «alegria e satisfação» pelo mesmo, e o agradecimento às nações que contribuíram «para evitar uma verdadeira catástrofe para toda a humanidade», declarou o arcebispo de Seul -- e administrador apostólico de Pyongyang --, o cardeal Nicholas Cheong Jin-suk, à agência do Pontifício Instituto de Missões Exteriores «AsiaNews.it». Para o purpurado, este acordo «evitou uma catástrofe de alcance inimaginável». «Estamos satisfeitos e damos graças a Deus por como terminaram as coisas», acrescenta. O pacto «apresenta luzes e sombras, dado que a energia que o regime quer em troca do desmantelamento irá, em primeiro lugar, aos depósitos dos meios militares.

Contudo, devemos pensar que também a população, ainda que de maneira inferior, se beneficiará disso», prossegue. Por sua parte, o governo dos Estados Unidos aludiu na terça-feira à posta em andamento de conversas com a Coréia do Norte, orientadas a estabelecer relações diplomáticas plenas, e anunciou que nos próximos dois meses encaminhará os procedimentos para eliminar Pyongyang da lista do terrorismo, além da supressão de sanções comerciais com relação ao país, aponta a agência do PIME. O lançamento de mísseis e a prova nuclear que levou a cabo, quatro meses atrás, o regime norte-coreano stalinista guiado por Kim Jong-II, foi o detonante do alarme na comunidade internacional. «AsiaNews.it» reflete que o abastecimento energético que a Coréia do Norte pede para facilitar o citado inventário lhe permitirá manter as indústrias ativas para prosseguir com o programa de venda de mísseis à Síria, Líbia e Irã. E desde as páginas do diário italiano «Avvenire» se opina que esta vitória diplomática do regime de Pyongyang não o é da população norte-coreana.

Para isso se remete aos números da fome:

- são necessários ao menos cinco milhões de toneladas de alimento, mas o país produz menos de quatro milhões. Os 23 milhões de habitantes do território vivem uma situação agravada este ano pelas fortes chuvas estivais e pelas sanções impostas após as provas nucleares de 9 de outubro passado, como a suspensão do envio de 500 mil toneladas de alimentos desde a Coréia do Sul. «Caritas» já alertou sobre esta situação em dezembro, e o Programa Alimentar Mundial informou de que 1,9 milhão de pessoas precisa de ajuda urgente. Em todo caso, em plena onda de otimismo pelo acordo de Pequim, Seul relançou a proposta de pôr oficialmente fim à guerra da Coréia (1950-1953), tecnicamente ainda em situação de armistício, como desejou o presidente sul-coreano Roh Mooh yun, cuja viagem oficial pela Europa -- recorda «Fides» -- fará escala no Vaticano na quinta-feira.

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