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COSTA DO MARFIM: 27/11/2007
Guerra
Reflexões e práticas ligadas à situação de conflito

QUANDO A MISSÃO VIVE "NA EMERGÊNCIA"

E' desde 1999 que a Costa do Marfim esta cruzando um período de grave crise política e econômica que tem trazido ao País uma situação de guerra civil entre o Norte e o Sul. E quando se dispara ninguém quer ser encontrado no meio. Todas as pessoas se transferem em locais mais calmos. No meio da guerra, ficam só algumas categorias: pessoas que têm algum interesse particular ligado à guerra, muitos que não têm meios para ir embora, outros que não sabem onde andar, ou finalmente quem tem motivações mais importantes do risco de perder a própria vida.

Afinco durante a guerra

E' esse o caso concreto de muitos Cristãos, divididos entre o Clero local, Religiosos e Religiosas, Missionários estrangeiros e "Pessoas de boa vontade", que restaram a Bouaké, cidade situada no centro do País e se tornou caixa forte das forças amotinadas contra o Presidente Gbagbo, quando se é iniciada a guerra fratricida entre as populações do Norte e do Sul. Restaram para compartilhar a tragédia do povo que não podia ou queria deixar a casa porque não tinha tido alternativas de para aonde andar. Alguns têm pagado esta escolha corajosa com a própria vida. Graças ao afinco deles, muitos ivorianos têm encontrado um apoio nas dificuldades, para achar um abrigo ou para a sobrevivência alimentar. Ás vezes, esse apoio não foi suficiente não tanto porque os recursos não fossem satisfatórios ao nível da gravidade da situação, mas porque o número dessas pessoas foi muito pequeno. Em alguns momentos, nós mesmos quisemos atender um número muito maior de pessoas, bem sabendo, contudo que companheiros com essas motivações não são facilmente disponível.

Atendimento para todos

Quanto nos tem sido numeroso o êxodo de populações que fugiam dos locais de combate, aonde as Missões foram um abrigo natural aonde achar um primeiro atendimento. Naquele período todo o pessoal diocesano e missionário deu uma concreta ajuda cheia de uma disponibilidade generosa. Muitas ajudas alimentares e de primeiro socorro, foram distribuídos graças à capacidade organizativa e à generosidade de muitas pessoas que têm colocado á disposição o seu tempo para quem sofria mais ainda que eles mesmos. De nenhuma parte, ninguém tem feito um cálculo do valor monetário de toda esta tarefa, mas seguramente se alcançariam cifras astronômicas, acima de tudo se parangonadas ao custo de algumas intervenções humanitárias administrados por Organizações humanitárias internacionais. De outra parte, ninguém tem jamais pedido uma bonificação monetária por tudo quanto tem feito ou pelos ousa inconvenientes sofridos.

O motivo é muito simples:

- porque julgavam de sentir uma única família pela qual o critério de base não é a economia, mas a relação entre pessoas que se sentem ligadas por um amor fraterno, porque se sente filhos do mesmo Pai, apesar de muitos pertencerem a culturas, línguas e etnias diversas.

A força da motivação

Os mesmos valores motivam todas essas iniciativas que, se iniciou e se desenvolveu durante e depois dos eventos bélicos, e que tinham o propósito de sanar os efeitos dos dramáticos eventos vivenciados por aquele povo. Aquela situação dolorosa é a situação de muitos meninos e meninas que têm tido suas vidas modificada pela guerra. Têm perdido às vezes os pais, seguramente a serenidade de sua família, e freqüente foram arrastados a uma situação que os têm feitos tornar-se "meninos soldado" ou "baby prostitutas". Próprio a Bouaké, surgiu para eles a "Maison de l’enfance", uma casa da infância, isso é uma estrutura que acolhe cerca 500 menores, meninos e meninas que sofrem os traumas da guerra. E' fruto da colaboração de algumas Congregações religiosas, entre os quais o PIME, que têm decidido de colocar juntos seus poucos recursos humanos e econômicos para responderem a uma necessidade prioritária dessa situação.

Um lugar para os Missionários Leigos

Quando se reflete sobre esta dramática realidade surge espontânea a pergunta sobre "quem e como" pode administrar esta iniciativa. Certamente, um tal compromisso não pode ser assumido por pessoas que não têm a liberdade e a serenidade de espírito, de quem ainda não descobriu que a vida é um dom e que esse dom vai utilizado a serviço dos outros. Para essas pessoas, até mesmo vindas de culturas e línguas diversas, tem realmente muito espaço de trabalho e realização numa realidade como aquela de Bouakè, onde muitos meninos teriam necessidade de encontrar pessoas que os saibam escutar e guiar naqueles setores que foram roubados de suas vidas.

Do psicológico ao instrutor profissional, você é espaço para um compromisso concreto de Missionários Leigos. Mas não só técnicos, por que temos acima de tudo necessidade de pessoas "equilibradas e maduras" que saibam orientar estes meninos, adolescentes e jovens, crescidos depressa e a força, a serem capazes de mostrar com a vida através do sustento de uma pessoa crescida, o que eles bem significam. E' o lugar para pessoas maduras humanamente e religiosamente, com um sólido equilíbrio psicológico e cultural, que saibam "caminhar com suas próprias pernas". Só com essas qualidades, é que serão em grau de sustentar o caminho de quem teve a sua infância negada.

Um sonho para o futuro

Infelizmente dessas pessoas, disponíveis para uma presença prolongada, existem poucas. Pois esta presença exige afinco e capacidade de envolvimento nas situações, como aquela de Costa do Marfim, como prioridade de vida. Muitas pessoas não sabem que esta vocação que a Igreja reconhece aos "fiéis de Cristo como os leigos". E' esta a razão principal pela qual não é fácil achar de "cristãos" que entendam gastar suas vidas numa realidade missionária como essa laical. No fundo, quer dizer, levar a sério aquilo que diz Concílio Vaticano II sobre a Missão dos Cristãos Leigos.

Isto é, a eleição de pessoas que, tendo como compromisso prioritário o de viver o evangelho, numa realidade diversa da própria, para afirmar que se sentem irmãos com todos e, por esse motivo, trabalham e compartilham junta a perspectiva de construir um Mundo Novo, onde todos são reconhecidos iguais nos direitos e deveres. E' talvez um sonho ou uma utopia de outros tempos? A resposta é não…! A Vivência de tantos anos de história de muitos Missionários Leigos, vindos de diversos países, tem realizado tal sonho. A nós o dever de realizar esse sonho indo ao encontro das necessidades dos nossos irmãos e irmãs de hoje.

Ir. Luiz Fernando - PIME

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