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BRASIL: 07/02/2007
Educação
A Idolatria do Dinheiro – Raiz de Todos os Males

A raiz de todos os males, que nos assolam hoje, sobretudo a grande desigualdade social e por conseqüência a extrema pobreza de grande parcela da população está no enorme valor que se dá ao dinheiro.

O mundo de hoje proclama aos quatro ventos:

- tudo é possível para quem tem dinheiro. E, num certo nível, todos os acontecimentos a nossa volta parecem confirmar essa máxima.

Karl Marx, que fez uma das análises mais penetrantes do dinheiro, fala da onipotência alienante do deus dinheiro.

Também Shakespeare arremete pesadamente contra ele, o deus Mamon, como é conhecido o dinheiro, quando diz:

“Metal maldito, tu, prostituta comum da humanidade, que semeias a discórdia entre os povos”. Antes deles ainda, já o poeta pagão Virgílio falava da “execrável sede do ouro”. Enfim, por trás de todos os males da nossa sociedade encontra-se o dinheiro; ou pelo menos encontra-se também o dinheiro. Para que isto não perdure e um novo modus vivendi seja legado às próximas gerações é mister “educar para o dinheiro”, para o reto uso do dinheiro.

Para isto, uma das palavras que precisa ser resgatada e posta em prática por nações, empresas e pelas pessoas é sobriedade. Sobriedade indica a capacidade de moderar-se, usar sensatamente as coisas, temperança. São Francisco, reconhecido universalmente como o “pai dos pobres”, pondo-se contra o capitalismo incipiente em sua época falava aos quatro ventos da boa pobreza e da má pobreza.

A boa pobreza é sermos pobres de coisas e ricos de virtudes, enquanto a má pobreza, pelo contrário, é ser rico de coisas e pobre de virtudes. E hoje o pensador Jean-François Revel, diz que infelizmente, quando se diz que alguém é virtuoso é chamado de hipócrita.

È assim que se vê a virtude em tempos de globalização onde o que importa é ter dinheiro para ter poder:

- poder de compra e de mando. E exatamente por conta desta globalização financeira podemos dizer que estes brados de revolta são impotentes. O deus dinheiro, por assim dizer, ri-se de tudo isso. Uma crítica profícua da onipotência do dinheiro só se pode fazer conhecendo outra ordem de riqueza, uma instância superior que o relativiza e o julga.

Um grande negociante inglês, ao final de um artigo que escreveu sobre o dinheiro, e que acabou se constituindo em seu testamento intelectual, dizia assim:

“O dinheiro é uma coisa que mancha e o único modo para não se deixar manchar por ele é usá-lo honesta e generosamente. Devo considerá-lo como meio de fazer o bem aos outros e não em função da minha exclusiva felicidade e segurança. Eu sou um simples administrador para usar os talentos e riqueza obtida e quando da minha ida, serei julgado sobre a minha administração e não sobre a minha riqueza. Não posso servir-me do dinheiro para contratar um advogado melhor para fins escusos ou para corromper um juiz, mas para deixar um testemunho de uso digno e correto dos bens que recebi em vida”.

Caberia agora, a guisa de conclusão, relembrar um oportuno princípio de Pascal sobre as três ordens de grandeza nas quais o homem pode realizar-se:

- a ordem material dos corpos, a intelectual e a sobrenatural, da santidade.

Um abismo – prossegue Pascal – separa essas várias ordens do mesmo modo que um abismo separa os três reinos da natureza:

- mineral, vegetal e animal

As riquezas materiais nada acrescentam nem suprimem ao gênio que atua num plano diferente. As grandezas materiais como as intelectuais nada acrescentam nem suprimem ao santo que pertence a uma outra ordem e tem por testemunha o próprio Deus, não os olhos ou as mentes dos curiosos. Alguns, conclui Pascal, só sabem admirar as grandezas carnais como se não houvesse as intelectuais; outros, só admiram as intelectuais como se na ordem da sabedoria não houvesse outras realidades infinitamente mais elevadas.

Fonte: www.hottopos.com

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