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ETIÓPIA: 01/02/2007
Congresso
Darfur, Somália e a Presidência
da organização estão no centro do 8.° Vértice
da União Africana
As crises na Somália e no Sudão estão
no centro do 8.° Vértice da União Africana em Addis
Abeba, na Etiópia. O encontro, do qual participam cerca de 30 chefes
de Estado e de Governo africanos, foi aberto pelo novo Secretário-geral
das Nações Unidas, Ban Ki-moon. No seu discurso, o Secretário-geral
das Nações Unidas pediu à União Africana que
“constitua um consenso para o posicionamento urgente de uma força
conjunta entre as Nações Unidas e a União Africana”
em Darfur, e disse que espera que se possa chegar a um acordo definitivo
no decorrer do vértice. A presença de Ban Ki-moon é
considerada significativa pelos observadores internacionais, porque se
espera que o Secretário-geral encontre o Presidente sudanês,
Omar Bachir, para resolver a questão do envio de uma força
de paz da ONU a Darfur para reforçar, assim o contingente já
posicionado da União Africana.
Até o momento, Cartum se opôs ao posicionamento
dos “Capacetes-azuis” na atordoada região sudanesa,
acusando o Ocidente de querer se intrometer nos assuntos internos sudaneses
através das Nações Unidas. O envio dos militares
sob a égide da ONU foi pedido por várias partes para pôr
fim ao massacre da população civil por parte das milícias
que comandam a região. No seu discurso, o Presidente da Comissão
da União Africana, Alpha Oumar Konaré, fez um apelo ao governo
sudanês para que detenha os bombardeios conduzidos pela própria
aviação na região. Konaré recordou que a paz
no Sudão significa também “a paz no Chade e na República
Centro-Africana”. Com efeito, esses dois países viram suas
regiões na fronteira com Darfur tomadas por grupos de guerrilha
provenientes da região sudanesa, e provavelmente ligados a milícias
pró-governo, que apóiam o exército de Cartum.
A crise de Darfur também influenciou diretamente
o funcionamento da União Africana, relativamente à nomeação
do novo Presidente da organização. Já há um
ano, tal cargo caberia ao Sudão, mas foi decidido adiá-lo
por causa da tragédia de Darfur, que provocou até agora
mais de 200 mil mortes e dois milhões de refugiados, dos quais
o governo sudanês é considerado responsável. No lugar
do sudanês Bachir, no vértice da UA está o Presidente
pro tempore Sassou Nguesso, Presidente di Congo Brazzaville. O Vertice
deverá agora revolver esta anomalia. Outro grande tema em discussão
é o envio de uma força de paz da União Africana à
Somália para ajudar o Governo de Transição, reconhecido
pela comunidade internacional, a estabilizar a situação.
O governo norte-americano afirmou que está disponível a
oferecer o transporte aéreo das tropas colocadas a disposição
pelos países africanos, que temem uma desestabilização
da Somália após a retirada das tropas etíopes.
Fides
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