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GABÃO: 14/09/2007
Política
O aumento dos preços e a “Síndrome holandesa”:
vive a “maldição do petróleo”
O governo do Gabão emitiu uma ordem para fixar
os preços dos produtos de primeira necessidade para os próximos
seis meses. Entre os produtos, há o óleo de palma, o leite
condensado, o leite em pó e alguns materiais de construção,
como o cimento. No final de agosto, o governo intimou os comerciantes
a rebaixar os preços depois dos recentes aumentos, julgados “excessivos”.
O primeiro-ministro, Jean Eyéghé Ndong, qualificou como
“discutíveis” as motivações dos atacadistas
e dos comerciantes para justificar o aumento dos preços: aumento
do custo dos carburantes e das matérias-primas agrícolas
em nível global, além dos aumentos do salário mínimo
no Gabão. Para além dos motivos contingentes, o Gabão
paga o custo da chamada “síndrome holandesa”: uma economia
excessivamente dependente das exortações petrolíferas
tende a abandonar os outros setores econômicos (agricultura e produção
manufatureira), porque graças a um forte câmbio (derivante
das exportações dos hidrocarbonetos), prefere-se importar
as mercadorias e os produtos alimentícios para satisfazer as necessidades
da população.
O nome deriva do fato de que este fenômeno econômico
foi observado pela primeira vez na Holanda nos anos 70, quando a descoberta
das jazidas de gás criou o impulso a abandonar os setores tradicionais
da economia e a recorrer às importações de produtos
manufatureiros. O Gabão é um dos mais antigos produtores
de petróleo africanos: a primeira petroleira foi construída
em 1957. Desde então, o país desenvolveu uma economia que
é em grande parte dependente da exportação do produto,
em detrimento da agricultura e de outras atividades. O Gabão dispõe
de terras férteis e de água em abundância, mas o setor
agrícola foi abandonado, preferindo-se importar alimentos do exterior,
das batatas francesas aos tomates sul-africanos. Outro problema é
que o país é obrigado a importar carburantes refinados,
pois não existem refinarias no Gabão. Além disso,
os poços de petróleo estão se extinguindo. Em 1998,
o Gabão produzia 350 mil barris de petróleo ao dia; em 2001
a produção diminuiu para 250 mil. Este dado se tornou possível
pelo aumento do preço do produto, que tornou conveniente explorar
novas técnicas dispendiosas, para reativar velhos poços
que foram fechados nos anos 70 e 80.
Fides
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