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MYANMAR: 28/09/2007
Política
Tropas invadem mosteiros e prendem monges
Nesta quinta-feira - nono dia de protestos contra a junta
militar que governa Myanmar (a ex-Birmânia) - forças de segurança
invadiram, pelo menos seis mosteiros, e prenderam cerca de 200 monges.
Segundo testemunhas, os soldados invadiram os mosteiros no meio da madrugada,
quebrando janelas e espancando os monges que dormiam. O Conselho de Segurança
da ONU pediu calma à junta militar que governa o país. De
acordo com o embaixador britânico em Myanmar, Mark Canning, a polícia
e o exército aumentaram sua presença nas ruas de Yangum,
a capital do país. As forças de segurança também
ergueram barricadas com arame farpado, em torno do Pagode Shwedagon e
da Prefeitura, onde os manifestantes vêm-se concentrando, nos últimos
dias.
Um repórter japonês está entre as
cerca de nove vítimas da repressão aos protestos dos últimos
dias, contra os militares que governam o país. Em Tamew, distrito
do leste da capital birmanesa, as forças de segurança -
que até agora detiveram cerca de mil pessoas - abriram fogo em
duas frentes, contra milhares de manifestantes - fato relatado por testemunhas.
A ação repressiva ocorreu às 16hs. (hora local) quando
dois destacamentos do exército bloquearam a passagem da manifestação
e começaram a atirar contra a multidão. Cerca de 70 mil
manifestantes chegaram a se reunir, nesta quinta-feira, no centro de Yangun,
gritando palavras de ordem contra o regime militar, como "venceremos!".
No pagode de Sule, na "cidade antiga" de Yangun,
outras centenas de pessoas sentaram-se no chão, apoiando - com
cantos e rezas - um grupo de monges, até que as forças de
segurança agiram, para dispersar os manifestantes, com tiros e
bombas de fumaça. A China pediu a "todas as partes" da
crise em Myanmar, que se contenham, para evitar uma escalada da tensão,
apesar de não ter condenado a repressão militar contra as
manifestações pacíficas, e de instar a imprensa internacional
"a não exagerar". Líderes cristãos do Sudeste
Asiático, entre eles o chefe da Igreja Anglicana de Myanmar, arcebispo
Samuel San Si Htay, e o secretário-geral da Conferência Cristã
da Ásia, Prawate Krid-arn, também manifestaram total apoio
à revolta dos monges budistas contra a junta militar birmanesa.
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