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PANAMÁ: 23/10/2007
Vida Eclesial
O Cristo negro de Portobelo: devoção e história
Milhares de peregrinos, cumprindo promessas,
reuniram-se neste domingo, no estreito ingresso do histórico povoado
de Portobelo, Panamá, para venerar o mais negro dos santos locais:
- um Cristo de olhos tristes que os irmana a todos, com
seu olhar. Os cerca de três mil habitantes de Portobelo - a maioria
descendente de negros escravos - fizeram de seu Cristo um sinal de identidade
e hoje, a imagem tem estreitos laços com uma história que
os relegou ao completo esquecimento.
A baía de Portobelo - assim batizada pelo próprio
Colombo, em 1502 - nada mais conserva de sua distante glória colonial,
quando era sede de ricos mercados e meta de forasteiros abastados. Somente
o Cristo Negro consegue devolver ao pequeno povoado - em outubro de cada
ano - a glória e a importância de que desfrutou um dia, por
um período de mais de três séculos, como "o mais
importante porto da coroa espanhola, para o comércio de ouro e
prata". Durante a procissão de ontem - que se inicia com o
pôr-do-sol e termina à meia-noite, quando o Cristo Negro
retorna à sua capela, na colonial Igreja de São Felipe -
Portobelo renasce à vida de outrora e todo o povo se veste de festa.
Narra a lenda, que a imagem do Cristo Negro chegou a Portobelo no final
do século XVIII, a bordo de um barco que se destinava ao Peru,
mas que teve que atracar em Portobelo, devido ao mau tempo.
A voz do povo, porém, conta duas versões:
- uma diz que pescadores encontraram a imagem flutuando
nas águas do Caribe, enquanto outra diz que atracou no porto de
Portobelo, um galeão espanhol com duas imagens a bordo - uma de
um Cristo branco e a outra, de um Cristo negro. A cada vez que o galeão
tentava zarpar, caía um temporal que o impedia. Ao cabo de várias
tentativas, os espanhóis decidiram deixar o Cristo negro em terra
firme e, finalmente, conseguiram partir. Portobelo, situado a 115 km a
noroeste de Cidade do Panamá, na costa atlântica, foi declarado
patrimônio da humanidade, pela UNESCO (Organização
da ONU. para a Educação, a Ciência e a Cultura) em
1980.
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