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Pela pena de morte: 13/03/2007
"Quem poupa o lobo, mata as ovelhas"
Vitor Hugo - Macelo Andrade
São
muitas as pessoas, infelizmente, que são contra a pena de morte
Essas pessoas fazem muitas objeções à pena capital.
Rebateremos as mais comuns
1.ª objeção: Não
pode haver pena de morte porque podem acontecer erros e acabar-se matando
inocentes.
Resposta: Segundo esse argumento, tudo
o que contém algum risco de erro é ilegítimo. Se
esse argumento procedesse, deveriam ser proibidos o avião e o automóvel,
porque acontecem vários acidentes por ano e muitos inocentes morrem.
"Abusus non tollit usum" (o abuso não tolhe o uso), é
uma máxima do Direito absolutamente verdadeira. Caso contrário,
a vida em sociedade seria impossível.
2.ª objeção: Um erro
não justifica outro.
Resposta: a objeção normalmente
parte do pressuposto de que a pena de morte é um erro, sem se dar
ao trabalho de provar isso.
Se assim fosse, a mãe não poderia bater no filho quando
ele faz alguma travessura, já que bater é errado e não
poderia ser usado para corrigir outro erro. Dever-se-iam extinguir as
cadeias, porque os erros dos criminosos não justificariam outro
erro que é o cárcere forçado. E assim por diante...
3.ª objeção: Só
Deus pode tirar a vida. E Ele ordenou: "Não
matarás".
Resposta: Então, a Bíblia
estaria errada quando diz: "O que ferir um homem querendo
matá-lo, seja punido de morte" (Êxodo 21,12). "O
que ferir o seu Pai ou sua Mãe seja punido de morte" (Êxodo
21,15). "Aquele que tiver roubado um homem, e o tiver vendido, convencido
do crime, morra de morte" (Êxodo 21,16). Na verdade, a ordem
divina "Não matarás" significa que ninguém
pode matar sem motivo, sem razão. Não impede o assassinato
em legítima defesa. Ora, a pena de morte nada mais é do
que a legítima defesa da sociedade contra o criminoso. Se a objeção
procedesse, não haveria previsão da pena de morte na Bíblia.
4.ª objeção: A Igreja
Católica é contra a pena de morte
Resposta: A Igreja sempre ensinou que
a pena de morte é legítima. Ela não poderia ir contra
o que a Bíblia ensina de modo tão explícito.
Vários santos defenderam a pena capital,
entre eles:
São Jerônimo, o doutor máximo das
Escrituras, Santo Agostinho, São Pio V, São Pio X e São
Tomás, o maior doutor da Igreja. Quem se opõe à pena
de morte não é a Igreja, mas alguns padres e bispos.
São Paulo ensinou que a pena de morte
é legítima: "Paulo, porém, disse: Estou
diante do Tribunal de César, é lá que devo ser julgado;
nenhum mal fiz aos Judeus, como tu sabes muito bem. E, se lhes fiz algum
mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer..." (Atos XXV,
10-11). São Paulo afirma que existem ações que são
dignas de morte. É, portanto, favorável à pena capital.
Diz ainda, em outra passagem: "Os
quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam
que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não
somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem"
(Rom I, 32).
5.ª objeção: Não
se pode punir os criminosos com a morte. Ninguém tem esse direito.
Resposta: É necessário
punir os faltosos. A justiça manda "dar a cada um o que é
seu".
Quando um ladrão rouba uma pessoa, cometeu uma injustiça
e a vítima, além da sociedade, é "credora"
desse ladrão.
Então, para se fazer justiça, o ladrão deve pagar.
Restituir o que subtraiu à vítima e pagar uma pena.
Por isso sempre se diz: "O criminoso
está em dívida com a sociedade", "Já paguei
minha dívida com a sociedade".
Os maus devem ser punidos, é o que ensina
São Tomás na "Suma contra os gentios", em que
cita algumas passagens da Bíblia: Diz o Apóstolo:
"Não sabeis que um pouco de fermento corrompe a massa?"
(ICor 5, 6e13), acrescentando logo após: "Afastai
o mal de vós". Referindo-se à autoridade terrestre,
diz que: "Não sem razão leva a espada, é
ministro de Deus, punidor irado de quem faz o mal" (Rm 13,4).
Diz S. Pedro: "Sujeitai-vos a toda
criatura humana por causa de Deus; quer seja rei, como soberano; quer
sejam governantes, como enviados para castigar os maus, também
para premiar os bons" (1Pd 2,13-14). De acordo com essas passagens,
a punição é necessária, e os governantes têm
o direito de punir. A pena deve ser proporcional ao agravo. Desse modo,
para uma infração leve devemos ter uma pena leve, para uma
infração média, uma pena média, e para uma
infração grave, por exemplo, um assassinato, devemos ter
uma pena forte, que é justamente a pena de morte. Por isso a Bíblia
elenca vários crimes que são dignos de morte.
6.ª objeção: A pena
de morte não resolverá nada. Os EUA são a prova disso.
Resposta: Resolve sim. Primeiro porque
um apenado com a pena capital não cometerá crimes novamente.
Segundo, porque nos países onde ela existiu, no decorrer da história,
sempre houve baixa criminalidade. Por exemplo, na França. Em Paris,
entre 1749 e 1789 - quarenta anos - aconteceram apenas DOIS assassinatos.
E hoje em dia, nos países que aplicam a pena máxima - como
é o caso dos países árabes e de Cingapura - há
baixíssima criminalidade. Nos EUA, se não houvesse pena
de morte haveria ainda mais crimes. Além disso, o sistema americano
é imperfeito; há poucas condenações e os processos
são demorados demais. Em New York a criminalidade está despencando
e um dos motivos é a aprovação da pena de morte.
7.ª objeção: É
uma falta de caridade com o criminoso. É contra os princípios
cristãos.
Resposta: Pelo contrário. Como
ensina São Tomás, o ódio perfeito pertence à
caridade. A pena de morte na verdade é caridosa. Quando aplicada
a um criminoso irrecuperável, ela impede que ele cometa mais crimes,
ou seja, impede que cometa mais pecados. Como dizia São Domingos
Sávio, "é preferível morrer a cometer um pecado
mortal". Além disso, a pena capital, é uma excelente
oportunidade para que o criminoso se arrependa de seus crimes e ofereça
sua vida como pagamento de seus pecados. O criminoso, no corredor da morte,
tem uma rara oportunidade de salvar-se, bastando arrepender-se e confessar
a um sacerdote antes da execução.
8.ª objeção: Não
se pode abreviar a vida porque existe a possibilidade de uma graça
futura ou de um arrependimento futuro.
Resposta: Ora, para Deus não
existe tempo. Se tal pessoa deveria receber uma graça no futuro,
Deus "anteciparia" tal graça.
Por outro lado, a Justiça não pode trabalhar com meras "hipóteses"
ou "suposições".
Na argumentação de São Tomás, o perigo de
um criminoso para a sociedade é maior do que a chance dele se converter,
e por isso deve ser eliminado.
9.ª objeção: Jesus
Cristo foi contra a pena de morte
Resposta: Jesus Cristo é Deus.
Deus é o autor mediato da Bíblia. Se a pena de morte fosse
errada, não haveria previsão na Sagrada Escritura.
No Novo Testamento há várias passagens
pró pena de morte: S. João XIX, 10-11:
"Então disse-lhe Pilatos:
Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar,
e que tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Tu não terias
poder algum sobre mim se te não fosse dado do alto...". Ou
seja, Deus deu a Pilatos, autoridade constituída, o direito de
aplicar a pena de morte. É claro que com Nosso Senhor, Pilatos
usou mal esse direito.
E no Apocalipse: Apoc XIII, 10: "Quem
matar à espada importa que seja morto à espada".
10.ª objeção: As
pessoas que defendem a pena de morte assim o fazem porque não serão
elas as executadas. Se um filho dessas mesmas pessoas estivesse no corredor
da morte seriam as primeiras a protestarem contra a pena capital.
Resposta: Se esse raciocínio
fosse verdadeiro, teríamos de acabar com todas as penas, porque
quem comete um crime não quer ser condenado, mesmo que tenha defendido
a pena para esse crime.
O argumento equivale a dizer: "As
pessoas que defendem a pena de cárcere forçado assim o fazem
porque não serão elas as prisioneiras. Se um filho dessas
mesmas pessoas estive presa seriam as primeiras a protestarem contra a
prisão".
11.ª objeção: Quem
é contra o aborto, não pode ser a favor da pena de morte.
Resposta: Raciocínio torto esse,
totalmente "non sense". Somos a favor de punir bandidos, e não
inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente
a dizer: "quem é contra prender uma criança durante
10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso
por 10 anos numa cadeia". A tese contrária é verdadeira
"Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena
de morte". Se alguém defende o assassinato de uma criança
inocente, não poderá ser contra a execução
de um bandido. Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas
que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto)
e são contra a pena de morte. É o cúmulo do "non
sense".
12.ª objeção: Se
no passado ela poderia estar certa, a pena de morte hoje em dia não
tem mais cabimento. A tendência do mundo é de acabar com
ela, não podemos impedir a evolução das coisas. A
pena de morte não é compatível com um mundo civilizado.
Resposta: De acordo com esse raciocínio
as tendências do mundo moderno são todas excelentes e inatacáveis.
Entretanto, hoje a tendência é de que os partidos neo-nazistas
cresçam. Então, esses partidos estariam certos? A tendência
é o deficit público aumentar. Então, o deficit é
bom? A tendência é o trânsito aumentar, a criminalidade
aumentar. "Tendências" não significam nada, podem
ser ruins ou boas. Não existe "evolução"
para a verdade. É justamente hoje em dia que precisamos mais da
pena de morte, porque há mais crimes. Civilizado é um mundo
com baixa criminalidade e não um mundo em que se mata por nada.
13.ª objeção: As
penas devem ser educativas, para recuperar o criminoso, e não para
vingar.
Resposta: Toda a pena é vindicativa.
A recuperação do criminoso está em segundo plano.
O primeiro dever do Estado é proteger a sociedade, e não
recuperar o indivíduo. O todo vale mais que a parte.
Ademais, a pena de morte é extremamente educativa para todo mundo.
14.ª objeção: A maioria
das pessoas é contra a pena de morte.
Resposta: Não é verdade.
A maioria das pessoas é a favor da pena capital. Nos EUA em torno
de 75%, no Brasil deve ser também. Bastaria um plebiscito para
confirmar esse dado.
15.ª objeção: Não
se pode punir os criminosos com a pena capital porque a culpa é
da sociedade. A pobreza é que causa a criminalidade. São
traumas psicológicos que causam o crime.
Resposta: Então, a Igreja estaria
errada quando ensina que existe o livre arbítrio e, por causa dele,
podemos escolher entre o bem e o mal. Os crimes existem em função
da maldade humana que escolhe o mal em vez do bem. Se a sociedade fosse
a culpada, não poderia haver Direito, não poderia haver
nenhum tipo de repressão. O próprio Direito Civil seria
inútil, pois, todo o inadimplente poderia alegar que não
pagou por culpa da sociedade, e o credor não poderia cobrá-lo.
O mesmo aconteceria com os "traumas psicológicos". Dizer
que a pobreza causa a criminalidade é dizer que todo pobre é
ladrão. Ou seja, é uma frase preconceituosa.
Se fosse assim, a Índia, um dos países mais pobres do mundo,
seria o mais violento. Entretanto, é um país com baixa criminalidade.
A proibição da pena de morte não
tem suporte lógico nenhum. Não existe argumentação
eficiente contra a pena capital.
O que explica as pessoas serem contra ela, além de uma
visão totalmente falsa da caridade, é o sentimentalismo,
no fundo materialista, representado por frases como estas: -
"não se pode punir", "devemos ter piedade do assassino",
"coitado do bandido". Nenhum pastor, em sã consciência,
trocaria um rebanho de ovelhas por um lobo. Ele não hesitaria em
matar o lobo.
O nosso triste mundo do século XX, porém, preserva o lobo
e mata as ovelhas.
O pior é que nós somos as ovelhas...
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