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REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA:
26/09/2007
Igreja Missionária
Igreja e luta contra bruxaria
Na República Centro-Africana, a luta contra a
bruxaria é um dos principais desafios da Igreja. Assim explicou,
em uma visita à associação católica internacional
Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o bispo Peter Marzinkowski, C.S.Sp.
(Missionário da Congregação do Espírito Santo,
de origem alemã) da Diocese de Alindao. Segundo explicou, para
muitas pessoas «não há uma explicação
natural para a morte, a doença e as catástrofes naturais»,
pelo que buscam um bode expiatório a quem culpar pela desgraça,
acusando-o de bruxaria. Pode ocorrer a qualquer um, assegurou o bispo,
qualquer um pode ser acusado sob o menor pretexto de ter praticado a bruxaria
para fazer dano a alguém, e inclusive acabar morrendo por isso.
E acrescentou que estes casos também se dão entre cristãos,
pois entre muitos deles a fé ainda não está suficientemente
arraigada, com o resultado de que «à menor dificuldade, recaem
na forma de pensar tradicional».
A Igreja está reforçando seu compromisso
pastoral com o fim de transmitir melhor a Boa-Nova de Cristo, que se baseia
sobretudo no perdão, disse o bispo Marzinkowski. «Devemos
ajudar esta gente a adquirir uma nova imagem de Deus e do homem».
Muitas paróquias já são muito ativas neste sentido,
acrescentou, e por própria iniciativa excluem da comunidade paroquial
a pessoas que acusam outras de bruxaria, que não perdoam a quem
supostamente lhes causou dano. O bispo informou que, atualmente, só
38.000 dos 240.000 habitantes da diocese são católicos.
Para o bispo, o auge da crença na magia é devido ao medo
que domina atualmente a sociedade. O sistema de assistência social
está «em ruínas», assegura, e as instituições
públicas como escolas e hospitais deixaram de funcionar.
O dinheiro que deveria ser investido em ajuda ao desenvolvimento
se destina principalmente a pagar a dívida que o país contraiu
com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. «Estes
pagamentos estão estrangulando ao país», explica o
bispo Marzinkowski. Daí que a Igreja deva acompanhar as pessoas
e ajudá-las «a descobrir os sinais de Deus». Isso implica
também ajudá-las «a assumir uma responsabilidade por
suas próprias vidas, libertar-se da dependência e alcançar
a liberdade interior e exterior». Para alcançar este objetivo,
a Diocese de Alindao pôs à cabeça de sua lista de
prioridades a promoção da educação escolar,
sobretudo nas áreas rurais que carecem de escolas e professores.
O Governo não está tomando nenhuma iniciativa, pelo que
a Igreja tenta ajudar as pessoas a aprender a ajudar-se a si mesmas.
«Não podemos proclamar o Evangelho e permanecer
indiferentes a todo o resto», disse Marzinkowski, acrescentando
que «uma sociedade que carece de educação não
pode evoluir». Em suas visitas pastorais às paróquias,
que podem abarcar até 200 povoados, o bispo se reúne com
os sacerdotes, chefes e habitantes dos povoados para tentar fazer-lhes
compreender a importância de que seus filhos obtenham uma formação
escolar. Contudo, nem sempre contam com a aprovação das
pessoas, pois muitas pessoas pensam que «podem continuar vivendo
como até agora».
Apesar disso, ele se esforça em fazer
as pessoas pensarem, repetindo-lhes constantemente a seguinte pergunta:
- «Querem que seus filhos sejam analfabetos pelo
resto de suas vidas ou que estejam em condições de construir
a sociedade do futuro?» Na prática, corresponde aos povoados
tomar a iniciativa, pois a Igreja só pode motivá-los a atuar.
Na maioria das vezes, as pessoas começam com o material que tem
em mãos – barro e palha –, para erigir uma cabana onde
as crianças estejam protegidas do sol e da chuva. Depois decidem
quem dentre os alfabetizados são os mais apropriados para «ensinar
a seus irmãos e irmãs mais jovens». Finalmente, a
Igreja se compromete a ajudar os professores a obter uma formação
do Estado. Segundo afirma o bispo Marzinkowski, qualquer que se autodenomine
«cristão» deve sentir-se responsável pelo bem-estar
de seu vizinho. O lema episcopal que ele escolheu para a sua ordenação
proclama que «a solidariedade produz alegria e vida». Pôr
em prática este lema é «a obrigação
de todo cristão», conclui.
Fides
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