| PIME-Net
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA
DO CONGO: 07/12/2007
Paz
Abre-se o encontro de cúpula sobre os Grandes Lagos
Para
a imprensa do Congo, os Estados Unidos estão na linha de frente
na busca da paz
“A pax amaricana”, “Nkunda
desafia Bush:
- a guerra total no norte de Kivu”. Estes são
alguns dos títulos da imprensa congolesa, que dedica um grande
destaque ao encontro de cúpula em Addis Abeba, na Etiópia,
que discutirá a crise dos Grandes Lagos e as operações
militares conduzidas pelo Exército congolês à leste
da República Democrática do Congo, contra o general rebelde
Laurent Nkunda.
Da reunião que se iniciou ontem, dia 5
de dezembro, no Africa Hall, a histórica sede onde em 1964 foi
fundada a Organização da União Africana, precursora
da atual União Africana, estava prevista a participação
de quatro presidentes africanos:
- o congolês Joseph Kabila, o ugandense Yoweri
Museveni, o ruandês Paul Kagame e o burundinês Pierre Nkurunzinza.
Mas, será principalmente a presença do
Secretário de Estado americano, Condoleezza Rice, a chamar a atenção
dos observadores sobre a questão africana. A imprensa congolesa
salienta que Washington, reunindo os quatro chefes de Estado africanos
(o presidente congolês Kabila não poderá participar
da reunião de cúpula, mas indicou um seu funcionário
que viaja com Condoleezza Rice), está decidido a dar a máxima
importância à solução da crise da região
dos Grandes Lagos.
São dois os motivos principais que levaram
o governo americano a intervir nesta crise que dura já há
uns 10 anos:
- a vontade de difundir uma presença estratégica
em uma região que arrisca de se tornar a longo termo uma fonte
de instabilidade, também porque está próxima à
explosiva Somália, e o desejo da administração Bush
de concluir o seu mandato com sucessos diplomáticos.
Os planos americanos a longo termo (ver também
Fides 3/12/2007) prevêem a eliminação das chamadas
“forças negativas”, os grupos de guerrilha que agem
na região que abrange a República Democrática do
Congo, Ruanda, Burundi e Uganda. Particularmente, se trata dos ex-integrantes
das milícias ruandesas, responsáveis pelo genocídio
de 1994. O Congo e Ruanda assinaram em novembro, em Nairobi, no Quênia,
um acordo apoiado por Washington, para tornar seguras as fronteiras e
para desarmar os guerrilheirois ruandeses. Em contrapartida, Kinshasa
obteve a autorização para atacar os rebeldes do general
Nkunda, a quem a administração americana havia oferecido
a possibilidade do exílio. No entanto, Nkunda não parece
ter a intenção de se render facilmente e agora, no norte
de Kivu, a guerra é aberta entre suas tropas e as do Exército
congolês. Os homens de Nkunda tomaram os vilarejos de Kikuku e de
Nyanzale, a 100-130 quilômetros de Goma, forçando 40 mil
civis a fugirem.
Fides
Home-page
© 2007 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |