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REPÚBLICA DEMOCRÁTICA
DO CONGO: 10/12/2007
Guerra Civil
“Parece que existe uma mudança de rota da comunidade internacional
sobre a crise dos Grandes Lagos”
“Os soldados governamentais voltaram a Goma cantando
em sinal de vitória. Mas sabemos que sofreram graves perdas”,
referem à Agência Fides fontes missionárias do leste
da República Democrática do Congo, onde está em ato
uma ofensiva do exército regular contra os homens do general rebelde
Laurent Nkunda. Segundo um porta-voz do exercito congolês, nos combates,
concentrados em uma área em torno do vilarejo de Mushake, 40 km
da capital de Kivu do Norte, Goma, morreram 13 soldados governamentais.
“A ofensiva é limitada ao Kivu do Norte, no Kivu do Sul a
situação é tranqüila”, confirmaram as
fontes da Fides. “Na área atingida pelos confrontos, a população
está em fuga.
Dia após dia aumenta o número dos
deslocados e a situação deles é dramática:
- estão privados de assistência, e nas montanhas
do leste do Congo faz frio, porque estamos na estação das
chuvas”.
Os deslocados são mais de 400 mil, segundo a Cruz
Vermelha Internacional, que lançou um apelo aos combatentes para
que seja poupada a vida dos civis. O organismo humanitário denuncia
ainda o grande número de violências sexuais cometidas contras
as mulheres da região. No decorrer de uma reunião em Addis
Abeba, na Etiópia, com os líderes dos países dos
Grandes Lagos, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza
Rice, afirmou que é preciso reforçar com urgência
as capacidades das forças de segurança congoleses para que
sejam capazes de fazer frente às chamadas “forças
negativas”, os grupos de guerrilha baseados no leste do país,
que semeiam a instabilidade em toda a região. Entre elas, foram
explicitamente nomeadas as Forças Democráticas de Libertação
de Ruanda (FDLR), um grupo dissidente ruandês formado por ex-membros
das Interhamwe (as milícias responsáveis pelo genocídio
ruandês de 1994).
“Com efeito, parece que existe uma mudança
de rota da comunidade internacional sobre a crise dos Grandes Lagos”,
afirma à Fides um missionário, que deseja não ser
citado por motivos de segurança. “Porém, é
preciso recordar que a causa principal do drama do leste da República
Democrática do Congo são as suas riquezas naturais. Afirma-se
que as chamadas forças negativas, em particular as milícias
ruandeses responsáveis pelo genocídio de 1994, sejam o problema.
Mas como é possível que esses homens em fuga, procurados
pela justiça internacional, em uma área onde estão
presentes os capacetes-azuis da ONU, estejam perfeitamente equipados?
Eles têm armas melhores do que o exército regular congolês,
dispõem de remédios, de uniformes e botas novas, de alimentos
enlatados e de leite em pó. A quem pertencem os helicópteros
que sobrevoam as áreas onde estão presentes essas milícias
e que os refornecem? Esses helicópteros voltam vazios ou estão
carregados de minerais?”, pergunta-se o missionário.
Fides
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