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SERRA LEOA: 28/11/2007
Paz
“Não desiludam as esperanças da população”
- afirma o missionário
Pe. Gerardo Caglioni, missionário xaveriano
que trabalhou 12 anos em Serra Leoa, autor de diversos livros (entre os
quais a história da evangelização da Serra Leoa,
e agora está escrevendo outro sobre a história dos missionários
católicos no país), enviou à Agência Fides
uma reflexão sobre o futuro do país, há dois meses
da eleição do novo Presidente:
- “Depois de décadas de corrupção,
promessas vazias e um sangrento conflito fratricida, no qual 50 mil pessoas
perderam a vida e diversos milhares ficaram mutiladas, é provável
que se tenha iniciado uma nova era para 15 milhões de serra-leonenses.
Destaco ‘é provável’ porque todos os que assumiram
o poder neste país sempre fizeram as mesmas promessas, sem jamais
mantê-las. Enquanto falta gasolina no país, o novo Presidente
de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma prometeu à multidão presente
em seu discurso de posse, no estádio de Freetown, combater a corrupção
e reduzir a pobreza. Esta é talvez a última possibilidade
de esperança para a população local, que não
viu cumpridas as promessas dos líderes dos últimos 50 anos.
Os cidadãos, não obstante sua tradicional
paciência, estão cansados de promessas vazias, da falta de
empregos, especialmente para os mais jovens, da ausência de infra-estruturas
(comunicações, eletricidade, estradas, transportes, serviços
e mídia), do carente nível de ensino, por causa dos baixos
salários, da preparação insuficiente e da falta de
material didático. Estão cansados principalmente da corrupção
e do mau governo neste país abençoado por Deus com riquezas
e matérias-prima preciosas. A responsabilidade é provavelmente
a chave para uma mudança real na política nacional. A responsabilidade
dos doadores que devem controlar que as verbas sejam bem gastas. Se os
doadores possuíssem uma organização mais eficiente
para trocar informações, poderiam controlar melhor o modo
com o qual suas verbas são utilizadas.
Quem detém a responsabilidade em nível
nacional e local da distribuição e o emprego dos fundos
deve saber que suas ações são submetidas a um controle
atento. Neste processo de transição, qual o papel da Igreja
neste país? O anúncio do Evangelho chegou a Serra Leoa em
1605, durante a conquista portuguesa, através dos Jesuítas,
antes, e dos Franciscanos, depois, mas não pôs raízes
até que os escravos libertados e os africanos reintegrados a Serra
Leoa trouxessem consigo o Cristianismo e seus pastores. Confissões
diversas trabalharam para estabelecer suas comunidades (não sempre
de modo pacífico), e desde então, desenvolveram uma presença
significativa em toda a África ocidental. A partir da década
de 20, do século XIX, as Igrejas cristãs assumiram um papel
indispensável no setor educativo. Desde então, a educação
se tornou um dever das Igrejas e uma vocação específica
das comunidades cristãs.
Hoje, os cristãos administram 65% das escolas
de Serra Leoa (cerca de 40% são católicas e 25% protestantes),
e ainda exercem grande influência junto à opinião
pública, tendo a capacidade de inspirar os diversos aspectos da
vida social. As Igrejas são apolíticas, devem ser “super
partes” e consciência autêntica da nação.
Podem ajudar o país a desenvolver um maior sentido de responsabilidade,
uma administração mais justa e um melhor exercício
do poder, monitorando a administração local, tornando-se
um exemplo de serviço para a população da Serra Leoa.
Os Bispos católicos desempenham o papel tradicional de promover
a educação nos vários setores, atuam pela formação
de novos líderes, e favorecem um exame sobre come conduzir os negócios,
segundo os princípios da justiça evangélica. Serra
Leoa precisa ser ajudada sobretudo a partir de dentro, e não de
fora, mas se a ajuda chegar de ambas as partes, será mais receptiva
e incentivada a agir”.
Fides
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