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SUDÃO: 09/11/2007
Guerra
“Darfur vive um dilema”, afirma o Secretário-geral
da ONU
A situação em Darfur vive um dilema crucial
para reencontrar a paz. É o que afirma um relatório do Secretário-geral
das Nações Unidas, Ban Ki-moon, publicado ontem, 7 de novembro,
em Nova York. Segundo o Secretário Geral das Nações
Unidas, os recentes colóquios na Líbia entre os representantes
do governo sudanês e de alguns grupos rebeldes ativos em Darfur
representam uma oportunidade que deve ser aproveitada por todas as partes.
No relatório se destaca, no entanto, que existem ainda diversos
obstáculos ao posicionamento, na área do Sudão, da
força de paz conjunta União Africana/ONU que até
o final do ano deverá substituir o contingente enviado pela União
Africana. Ban Ki-moon afirma que as condições incertas de
segurança são um empecilho para as atividades das organizações
humanitárias na área.
O Secretário-geral da ONU reconhece além
disso a dificuldade de encontrar Países dispostos a enviar 24 helicópteros
de transporte e combate para apoiar os 26 mil militares da nova força
de paz, chamados para atuar numa área muito ampla (cerca de 500
mil km2). “Sem os helicópteros, a missão não
estará apta a pôr em prática o seu mandato”
afirma o relatório. A resolução da ONU, que estabeleceu
a força de paz mista para Darfur, prevê que a maior parte
das tropas será fornecida por Países africanos. Trata-se
de uma concessão às objeções de Cartum que
não quer militares ocidentais em seu território. A África
do Sul se disse disposta a enviar helicópteros e meios de transporte
terrestre em ajuda à missão de paz. É o que anunciou
o Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, durante um encontro com o Presidente
sudanês Omar Hassan el-Bashir, que está em visita à
África do Sul.
Os dois Chefes de Estado dirigiram um apelo aos dissidentes
de Darfur, que não participaram da reunião na Líbia,
para se unirem à mesa de negociação. A África
do Sul, que já tem em Darfur um contingente de 700 homens no âmbito
da força de paz da União Africana, decidiu assumir um papel
importante no campo logístico na nova missão conjunta. De
fato, o exército sul-africano é um dos poucos do continente
que possui os meios necessários. O Presidente sul-africano expressou
o seu agrado pela decisão dos líderes do norte e do sul
do Sudão de adotar um programa de três meses para resolver
as disputas que puseram em crise o acordo de paz de 2005. Os representantes
do Sudão meridional se retiraram do governo de união nacional
para protestar contra os atrasos da realização de alguns
importantes pontos das intenções de paz.
O Presidente da administração autônoma
do Sudão, Salva Kiir Mayardit, em visita a Washington, declarou
que os membros sulistas do governo de coalizão continuarão
a desertar de suas funções enquanto não forem atendidas
as solicitações apresentadas ao Presidente Bashir. O Presidente
Kiir, mesmo reconhecendo a importância dos colóquios em andamento
entre norte e sul, reafirma que o tratado de paz de janeiro de 2005 deve
ser aplicado na sua totalidade. O Presidente do sul do Sudão destacou
especialmente a questão da região de Abyei, rica em petróleo
e disputada entre o norte e o sul. Kiir recorda que em Abyei as tropas
do norte ainda não se retiraram, como estava previsto nos acordos.
Ao mesmo tempo a região é destituída de uma administração
civil, porque nem o norte, nem o sul investiram ali, na expectativa de
saber a quem será destinada. As populações civis
são assistidas pela Igreja, que desenvolve um importante papel
de substituta, além da própria missão pastoral, informam
à Agência Fides os missionários que trabalham no local.
Fides
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