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VATICANO: 04/12/2007
Papa
"A esperança não é algo, mas alguém": publicada a nova encíclica de Bento XVI, Spe Salvi

O papa assinou, nesta sexta-feira, na Biblioteca do Palácio Apostólico, sua segunda encíclica - Spe salvi, Salvos pela esperança. Depois da assinatura da nova encíclica, o documento foi apresentado, na Sala de Imprensa da Santa Sé, pelo pro-teólogo emérito da Casa Pontifícia, Cardeal Georges Cottier, e pelo professor emérito de Exegese do Novo Testamento, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Cardeal Albert Vanhoye. O texto da encíclica foi publicado, inicialmente, em oito línguas: latim, italiano, francês, inglês, alemão, espanhol, português e polonês. Vamos conhecer agora o teor desta encíclica...

O documento é inspirado num trecho da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8, 24):

- "Pois nossa salvação é objeto de esperança". O papa parte da premissa de que a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de fato. A redenção nos foi oferecida porque a esperança nos foi dada.

O elemento distintivo dos cristãos é o fato que eles têm um futuro:

- eles sabem que sua vida não termina no vazio. Nesse sentido, o Evangelho não é somente uma comunicação de coisas que se podem saber, mas é uma comunicação que produz fatos e transforma a vida. Quem tem esperança, vive de modo diferente. Receber esperança significa chegar ao conhecimento de Deus, do verdadeiro Deus. O papa cita como exemplo a santa sudanesa, Josefina Bakhita, seqüestrada aos nove anos de idade e vendida como escrava.

Libertar-se dessa vida, para ela, significava ter conhecido a "grande esperança" e, por isso, dizia:

- "Eu sou definitivamente amada e seja lá o que for que me aconteça, eu sou aguardada por este Amor."

O Santo Padre recorda que Jesus não trouxe uma mensagem social e revolucionária, mas algo diferente:

- o encontro com o Deus vivo… o encontro com uma esperança que era mais forte que os sofrimentos da escravidão e que, por isso, transformava do interior a vida e o mundo, apesar de as estruturas permanecerem as mesmas.

Cristo nos torna realmente livres:

- "Não somos escravos do universo" e das "leis da matéria e da evolução".

Somos livres, porque "o céu não está vazio", porque o Senhor do universo é Deus, que em Jesus se revelou como Amor. Cristo é o "verdadeiro filósofo" que "nos diz quem, na realidade, é o homem e o que ele deve fazer para ser realmente homem". E nos oferece "uma esperança, que é, ao mesmo tempo, expectativa e presença, pois o fato de esse futuro existir, transforma o presente". A atual crise da fé - prossegue o papa - é, sobretudo, uma crise da esperança cristã, pois hoje, muitas pessoas rejeitam a fé, porque a vida eterna não lhes parece desejável. A sociedade atual não quer, de maneira alguma, a vida eterna, mas aquela presente.

Assim, "a esperança se torna fé no progresso", fundada sobre duas colunas:

- a razão e a liberdade. A ciência pode também destruir o homem e o mundo. Não é a ciência que redime o homem, ele é redimido mediante o amor. Bento XVI indica, então, quatro locais de aprendizagem e de exercício da esperança. O primeiro é a oração, pois se ninguém me escuta, Deus me escuta. Ao lado da oração, há a ação. "A esperança, em sentido cristão, é sempre também esperança para os outros. Trata-se de uma esperança ativa, na qual lutamos para que o mundo se torne um pouco mais luminoso e humano.

Como cristãos, nunca devemos somente nos perguntar:

- como posso salvar a mim mesmo?

Mas sim:

- o que posso fazer para que outros sejam salvos?" Também o sofrimento é um meio de aprendizagem da esperança. "Certamente, é preciso fazer de tudo para diminuir o sofrimento, todavia, não é a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitá-la e, nela, de amadurecer, de encontrar sentido mediante a união com Cristo, que sofreu com infinito amor."

Por fim, está o juízo de Deus:

- "A fé no juízo final é, primeiramente e sobretudo, esperança." O papa se diz convicto de que "a questão da justiça constitui o argumento essencial, o mais forte em favor da fé na vida eterna". É impossível - afirma - que a injustiça da história seja a última palavra. Deus é justiça e cria justiça.

Esta esperança não é algo, mas Alguém:

- não é fundada em coisas que passam e que nos podem ser tiradas, mas em Deus, que se doa para sempre:

- por isso, é uma esperança que liberta e permite a tantos cristãos, abandonar tudo "por amor a Cristo".

No último capítulo, o papa dirige sua oração a "Maria, estrela da esperança":

- "Mãe de Deus, nossa Mãe, ensina-nos a crer, esperar e amar contigo. Indica-nos o caminho para o seu reino! Estrela do mar, brilha sobre nós e guia-nos no nosso caminho.

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