| PIME-Net
VATICANO: 21/12/2007
Defesa da Vida
Reação à moratória da pena de morte aprovada
na ONU
A aprovação, com uma maioria bem definida,
em 18 de dezembro passado, na Assembléia Geral das Nações
Unidas, que acontece em Nova York, de uma moratória universal da
pena de morte, deixa um sabor agridoce nas esferas vaticanas. Por um lado,
a resolução de moratória certamente tem um valor
moral e decisões desse tipo fizeram avançar o mapa da vida
ao diminuir os países que aplicam de fato a pena capital, ainda
que a conservem em suas legislações.
Mas, por outro, resta outra matéria pendente
nas decisões da ONU:
- preservar com a mesma força de convicção
a vida do nascituro.
Assim sublinhou o arcebispo Celestino Migliore, observador
vaticano ante as Nações Unidas, a partir da histórica
resolução. Esta resolução foi aprovada com
104 votos a favor, 54 contra e 29 abstenções na assembléia
geral. Quando foi aprovada em comissão, recebeu 99 votos favoráveis,
52 contrários e 33 abstenções. A moratória,
contudo, tem mais peso político e simbólico que força
vinculante, já que é um convite da ONU àqueles países,
dentre os 192, que a integram e que conservam em seu ordenamento jurídico
a pena capital, ao respeitar algumas convenções internacionais
e a suspender as execuções. Liderando o grupo dos países
contrários à moratória nos debates no Palácio
de Cristal, sede da ONU em Nova York, estava o Egito, Singapura, Barbados
e países caribenhos. A eles se unem os Estados Unidos, China, Índia,
Japão, Líbia e Irã, ainda que nos últimos
dez anos nada menos que 50 países renunciaram ao uso da pena de
morte como instrumento de justiça.
Os países decididos a conservar a pena
capital estão em clara minoria e entre eles destacam-se pelo número
de execuções:
- China, Irã, Paquistão, Iraque, Sudão
e Estados Unidos.
Em declarações retomadas pelo diário
vaticano «L’Osservatore Romano» hoje, o arcebispo Celestino
Migliore considerou a decisão da assembléia geral como «um
prêmio à paciente obra diplomática da Itália,
que desempenhou um papel importante, com uma opção inteligente,
porque conseguiu envolver o mundo inteiro, não só a Europa».
O arcebispo Migliore sublinhou a satisfação da Santa Sé
e seu elogio à Itália, «país exitoso em seu
empenho em escala global, fundado em um trabalho em equipe e na busca
de um consenso ampliado, que permitiu acertar no alvo o resultado esperado,
e também com um número de votos confortador, positivo».
Agora se pode falar de «um amadurecimento no sentido da importância
do valor da vida», acrescenta Migliore, e recorda o repetido esforço
da Santa Sé «na tentativa de abrir um debate mais amplo»
sobre o tema da vida. «Insistimos muito e continuamos fazendo isso
para que o tema da pena de morte se inscreva em um marco mais amplo, de
promoção e defesa da vida em todas suas fases, em todos
seus momentos, desde a concepção até seu término
natural», acrescenta. «Creio – conclui o observador
vaticano – que este amadurecimento deve progredir ainda e dar passos
importantes em uma visão do homem que contemple todos os seus aspectos
e todas as suas etapas.» Por outra parte, segundo o cardeal Martino,
presidente dos pontifícios conselhos Justiça e Paz e para
a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, é «um momento certamente
significativo, mas não conclui o que é de qualquer forma
uma luta pela civilização». Martino, que representou
a Santa Sé ante a ONU durante dezesseis anos, acrescenta que «temos
que ver se quem votou contra a aplicação da pena de morte
se absterá de praticá-la. Sobre isso, tenho muitos temores».
«Também – observa – abstiveram-se 29 países,
por considerações a meu entender mais de geopolítica
e de alianças que centradas na questão.» «Não
só, portanto, não há um consenso geral, mas, como
acontece com freqüência, interesses específicos e contingentes
ameaçam prevalecer sobre visões ideais, políticas
de curto alcance se impõem sobre políticas ‘elevadas’,
no sentido próprio e nobre do termo política», acrescenta.
O purpurado sublinha o empenho da Igreja nesta direção e
a obra de sensibilização no âmbito internacional da
Comunidade de Sant’Egidio, assim como a «constante ação
educativa, de apoio e de testemunho» de muitas outras iniciativas
católicas que procuram continuamente «servir ao homem»
e «tutelar os direitos humanos, a partir do primeiro deles, o direito
à vida».
Neste sentido, disse que no mundo há ainda «muitos
países que se definem como estados de direito» mas que «depois,
em suas legislações, descriminam fortemente o mais fraco
e sem defesa:
- o nascituro». «Deve-se sublinhar que há
uma espécie de esquizofrenia em quem reconhece ao nascituro direitos
específicos – em matéria hereditária e outros
– e depois lhe nega o direito principal, o de viver», conclui.
Nos próximos meses, corresponde ao secretário-geral da ONU,
Ban Ki-moon, redigir um informe sobre o respeito à moratória,
para ser apresentado em 2008 à Assembléia Geral. Ao ser
perguntado se este poderia ser o primeiro passo para a abolição
definitiva da pena de morte, o arcebispo Migliore respondeu aos microfones
da «Rádio Vaticano» que «obviamente estas são
decisões que serão depois amadurecidas nos diversos contextos
nacionais que, por cultura, divergem». «Certamente, esta resolução
lança um sinal muito importante e será um ponto de referência
no debates nacionais, nos parlamentos e entre os legisladores que, cada
vez mais, quando se trata de legislar, seguem as indicações
e orientações das Nações Unidas», conclui.
Zenit
Home-page
© 2007 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |