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ÁFRICA: 15/04/2008
Congresso
O século XXI será de grande mudanças
“O século XXI será
o século da África e da Ásia”
declarou o Premiê indiano, abrindo a primeira Cúpula entre
a Índia e a África
Investimentos, comércios, segurança energética,
mudanças climáticas, reforma das Nações Unidas
e manutenção da paz. Estes são os principais temas
discutidos na primeira Cúpula entre Índia e África,
que se abriu no último dia 8 de abril, em Nova Délhi. Ao
abrir os trabalhos, o Primeiro Ministro indiano Manmohan Singh destacou
a importância que seu governo atribui ao incremento do comércio
entre a Índia e a África, anunciando que Nova Délhi
oferecerá o acesso preferencial ao mercado indiano para as mercadorias
de 50 países em desenvolvimento, 34 dos quais, africanos. Entre
os produtos aos quais serão aplicados fortes descontos, estão
algodão, cacau, alumínio, bronze, diamantes não-industriais
e açúcar de cana. O Premiê indiano anunciou também
um projeto para duplicar os créditos ao continente africano nos
próximos cinco anos.
Através do próprio Banco de Importações
e Exportações, no período 2003-2008, a Índia
concedeu créditos num total de 2,15 bilhões de dólares
em favor de uma série de projetos em diversos países africanos.
Esta soma foi elevada a 5,4 bilhões de dólares. A Índia
quer colocar à disposição da África o próprio
know how no campo das tecnologias da Informação (Information
Technology, IT), da produção energética e na gestão
de pequenas e médias empresas, através do uso de parcerias
entre os setores público e privado. No campo político, Nova
Délhi busca o apoio dos Estados africanos para se tornar Membro
Permanente do Conselho de Segurança da ONU. Efetivamente, há
tempos, pede a reforma deste organismo e de sua expansão, com a
inclusão de novos Membros Permanentes, além dos 5 atuais
integrantes (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França).
Entre os países que aspiram ao posto, estão a Índia,
o Brasil e a África do Sul, três países que lançaram
um fórum econômico para coordenar suas políticas em
campo econômico, diplomático e estratégico (veja Fides).
O Premiê indiano destacou a necessidade para a
África e para a Índia de transformar suas instituições
internacionais, para criar um sistema econômico mais justo. “O
século XXI será o século da África e da Ásia”
- auspiciou Singh. Com efeito, os países asiáticos e africanos
estão sempre mais unidos por relações comerciais,
estratégicas, diplomáticas e culturais. A Cúpula
promovida por Nova Délhi se inspirou na precedente, entre China
e África, realizada em 2006, que teve a participação
de delegações de 48 Estados africanos. Os dois gigantes
asiáticos querem ampliar sua presença econômica e
sua influência política na África, apresentando-se
como países não-colonialistas (ou melhor, eles sofreram
o colonialismo), que não interferem na política interna
dos Estados e que propõem uma parceria livre das heranças
passadas. A retórica do “futuro comum” não pode
esconder a corrida pelo controle dos recursos africanos, energéticos
e não, do qual dependem as economias dos velhos e novos países
desenvolvidos.
Fides
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