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ÁFRICA DO SUL: 01/10/2008
Política
O novo presidente assegura a comunidade: - “Não pretendo
mudar uma política que funciona”
“Não quero me afastar daquilo que funciona.
Na turbulenta economia global, permaneceremos fiéis às políticas
que tornaram a África do Sul confiável”. Assim Kgalema
Motlanthe, o novo presidente da África do Sul, eleito anteontem
pelo Parlamento procurou assegurar, em seu discurso de posse, a comunidade
econômica e os investidores estrangeiros preocupados com a demissão
de Thabo Mbeki, o ex-presidente que tinha iniciado uma política
econômica baseada em investimentos estrangeiros. Um sinal concreto
foi dado pelo novo presidente com a confirmação de Trevor
Manuel no Ministério das Finanças, considerado o arquiteto
da política econômica de Mbeki, muito estimado nos ambientes
dos negócios.
Manuel, que se demitiu juntamente com a metade do executivo
guiado por Mbeki, aceitou retornar ao cargo. Motlanthe, no entanto, demitiu
a ministra da Saúde, a senhora Manto Tshabalala-Msimang, criticada
no país e fora dele por ter conduzido a controvertida política
anti-Aids de Mbeki, que impedia a distribuição de medicamentos
contra o mal nas estruturas sanitárias estatais. A ex-ministra
da Saúde tinha provocado o estupor internacional afirmando que
se poderia lutar contra a doença recorrendo somente ao alho e limão.
Tshabalala-Msimang foi nomeada ministro da Presidência. O novo presidente
parece intencionado em prosseguir a política econômica de
seu predecessor, arriscando descontentar a ala esquerda do Congresso nacional
africano (ANC), o partido do líder histórico da luta contra
o apartheid, Nelson Mandela, que aparece cada vez mais dividido.
Enquanto alguns comentaristas prevêem uma cisão
dos ex-apoiadores de Mbeki, que representam a ala tecnocrática,
próxima do mundo dos negócios, outros olham com interesse
para Motlanthe, que poderia ser tentado de se apresentar nas eleições
de 2009. Na realidade, ele foi eleito interinamente, para guiar o país
até as eleições presidenciais. O candidato da ANC
é Jacob Zuma, o presidente do partido, que forçou a demissão
de Mbeki. Sobre a cabeça de Zuma, no entanto, permanecem as acusações
de corrupção, ligadas a um contrato para a aquisição
de armas por parte do exército sul-africano. Um tribunal o absolveu,
mas foi apresentado um recurso para ser iniciado um novo processo. O partido
ANC está no poder desde 1994, mas, segundo os analistas políticos,
em dez anos, de 1994 a 2004, perdeu 30% do seu eleitorado, desiludido
com a corrupção e por não ter iniciado as reformas
econômicas e sociais prometidas.
Fides
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