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BARCELONA: 17/03/2008
Ética
Médicos católicos preparam documento sobre métodos
anticonceptivos
Revela o presidente da FIAMC, o
doutor José María Simón Castellví
Por Inmaculada Alvarez
A Federação Internacional de Médicos
Católicos (FIAMC) está preparando um documento sobre o uso
de métodos anticoncepcionais que será difundido em breve,
provavelmente em Roma, por ocasião do quadragésimo aniversário
da encíclica «Humanae Vitae», de Paulo VI. O atual
presidente de FIAMC, o doutor espanhol José Maria Simón
Castellví, explicou a Zenit que «o documento está
dirigido aos médicos, católicos ou não, que compartilham
os princípios éticos e antropológicos da cultura
da vida».
«Somos conscientes, como profissionais, da dificuldade
de promover esta doutrina, e depois de quarenta anos aceitamos o desafio»,
reconhece. «O tema do documento é a anticoncepção
e a regulação da natalidade, porque não esquecemos
que os meios aceitos pela Igreja, chamados “naturais” porque
respeitam os ciclos naturais da mulher, não só servem para
dar espaços entre os nascimentos mas também para buscá-los».
«A encíclica, portanto, não deve ser vista desde o
ponto de vista exclusivamente negativo, como rechaço à anticoncepção»,
declara.
O doutor afirma que existem três tipos
de pílula: - a Ru-486, a do dia seguinte e a anticoncepcional.
«Sobre a primeira o juízo está claro,
trata-se de uma combinação produzida para provocar uma morte,
e nem sequer merece o nome de medicamento. A pílula do dia seguinte
é um fármaco que, em 70% das vezes em que atua, o faz para
eliminar um óvulo humano fecundado, e portanto é também
abortiva. A pílula anticoncepcional tem outra avaliação
porque não produz a morte do embrião. A avaliação
não é positiva, mas não tem a mesma gravidade moral
que as anteriores», declara. «Como médico devo dizer
que nenhum dos três tipos de pílulas é inofensivo
para o organismo feminino, ao contrário.
A Ru-486 pode chegar a produzir a morte; a pílula
do dia seguinte tem também muitos efeitos colaterais», informa.
Com respeito à pílula anticoncepcional, indica, «o
que produz é uma alteração hormonal para evitar a
ovulação, e isto no longo prazo pode estar associado a fenômenos
de trombose, hipertensão ou depressão». «De
todas as formas, o juízo moral negativo não se remete aos
efeitos secundários, porque se no dia de amanhã se desenvover
uma pílula em que eles não existam, o juízo continuará
sendo negativo».
«No documento que estamos preparando, e
que estamos fazendo com muito carinho – conclui –, se enfrentam
muitas destas questões, porque entendemos que a responsabilidade
não recai só sobre nossos pastores:
- sem a opinião qualificada dos médicos
católicos, a questão da defesa da vida ficaria um pouco
paralisada».
Zenit
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