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BRASIL: 10/04/2008
Igreja e Política
Iniciativa popular viabilizaria projeto de lei na seqüência
do já aprovado contra corrupção
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
promoveu o lançamento esta quarta-feira de uma grande iniciativa
popular que pretende se tornar um projeto de lei a favor da ética
na política. A idéia do novo projeto de lei popular surge
na seqüência da Lei 9.840, promulgada em 1999, quando um milhão
de brasileiros subscreveram a iniciativa que hoje combate a compra de
votos e o uso da máquina administrativa nas eleições
no país. «Mais de um milhão de brasileiros tornaram
possível a punição de mais de seiscentos políticos
que foram surpreendidos comprando votos ou desviando os bens da Administração
Pública em proveito de suas candidaturas», explicou o presidente
da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha. O arcebispo de Mariana destacou que
«é chegado o momento de dar mais um passo além».
O novo projeto tornaria inelegíveis, durante os
trâmites do processo, os políticos condenados pela Justiça
em primeira instância. Os políticos processados diretamente
pelo Ministério Público também estariam impedidos
de ir às urnas enquanto aguardam julgamento. Prevê ainda
a inelegibilidade dos políticos que vierem a renunciar de seus
cargos públicos para escapar de possíveis punições
por quebra de decoro. «Na base da nova iniciativa está a
idéia de que os que respondem a processos criminais por delitos
graves devem ser afastados temporariamente da vida política até
que solucionem seus problemas judiciais», explicou Dom Geraldo Lyrio.
Segundo o presidente da CNBB, não se trata de «considerar
culpado alguém que ainda não esgotou todas as suas possibilidades
de defesa, mas de prevenir o possível ingresso nos cargos públicos
de pessoas com pendências na Justiça».
«Essa medida tão simples, junto com outras
previstas na nova iniciativa popular, nos ajudará a fortalecer
ainda mais a nossa democracia, consolidando a ética do serviço
ao próximo e ao bem como a base da participação na
vida política», afirmou. Na base do novo projeto de lei de
iniciativa popular está o Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral, uma rede de entidades da sociedade, da qual fazem parte a CNBB
e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outras instituições.
O presidente da OAB, Raimundo Cezar Britto Aragão, destacou a simbologia
da iniciativa. Segundo Cezar Britto, não se trata «simplesmente
de encaminhar um projeto de lei para o Congresso e ficar aguardando o
resultado, mas chamar o povo à reflexão e pedir que o povo
participe mais ativamente da vida política».
Zenit
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