| PIME-Net
BRASIL: 17/04/2008
Igreja Missionária
Em que fase está a missão continental?
Por Alexandre Ribeiro
Para saber como estão se estruturando os preparativos
e iniciativas da grande missão continental proposta pela Conferência
de Aparecida, Zenit entrevistou Dom Sérgio Braschi, bispo de Ponta
Grossa (Paraná, sul do Brasil). Dom Sérgio é o responsável
na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela missão
Ad gentes e é membro da Comissão do CELAM (Conselho Episcopal
Latino-Americano) para missão continental.
– Como está a formatação da
missão continental?
– Dom Sérgio Braschi: -
Após Aparecida, na dimensão da missão continental,
não houve ainda muita coisa concreta.
Nós tivemos uma reunião em Bogotá,
em novembro do ano passado, depois um trabalho elaborado pela Comissão
do CELAM responsável pela missão, que foi partilhado com
os presidentes das Conferências episcopais dos diversos países.
Agora no começo de março houve um encontro com os secretários-gerais
em Bogotá. Neste momento, o trabalho está nas mãos
das Conferências episcopais. Aqui na Assembléia Geral da
CNBB os bispos do Brasil participaram de uma exposição feita
por uma Comissão que foi composta recentemente, formada por quatro
bispos e dois peritos da CNBB, que estamos começando a refletir
sobre como assessorar as dioceses, paróquias e comunidades, para
que elas possam entrar nesse estado permanente de missão que o
Documento de Aparecida nos pede.
O sonho é muito grande. De nós sairmos
de uma Igreja voltada para dentro, como sal dentro do saleiro, porque
muitas vezes nós ficamos concentrados e lá onde precisaríamos
estar presentes, perto das pessoas que sofrem, das que estão afastadas,
das que não têm mais nenhum encontro com Cristo na sua vida,
nós às vezes não estamos lá perto. Então
nós temos de abrir de fato, partir para uma atitude missionária.
Isso supõe formação, todo um trabalho que não
acontece de uma hora para outra, que não depende de uma decisão
apenas. Trata-se de um caminho que se apresenta a nós e que será
muito diversificado em cada país. Veja dentro do Brasil quantas
realidades diferentes nós temos. Temos dioceses que têm uma
longa tradição de missões populares, que já
estão em missão permanente.
Há outras que ainda não entraram nessa
dinâmica. Em muitos lugares temos a infância missionária
muito forte, com as nossas crianças já crescendo com outro
espírito, graças a Deus. Imagine os outros países
da América Latina, cada um tem a sua realidade. Portanto, é
muito difícil imaginar que o CELAM, ou a nossa pequena Comissão,
possa passar determinações concretas e logo tudo começar
a acontecer. Nós sentimos que realmente é chegada a hora
da Igreja na América Latina abrir-se muito mais para esse espírito
missionário que, aliás, é do nosso Batismo, da nossa
Crisma, para cada cristão. Mas como concretamente isso vai acontecer
vai depender da realidade das várias regiões.
– Têm surgido idéias de iniciativas
concretas?
– Dom Sérgio Braschi:
- Nós temos agora a realização de
um grande momento no âmbito da América que é o CAM
3, Congresso Americano Missionário, que é já o oitavo
na América Latina, e se celebra em Quito, no Equador, de 12 a 17
de agosto.
Vai ser um grande momento. E por ocasião desta
celebração vai haver o envio da missão continental.
Ou seja, haverá um momento celebrativo em que vai ser lançada
esta grande missão. Apesar da concretização da missão
ser diferente de país para país, haverá alguns momentos
em que todo o continente vai se unir. E isso vai ser muito bonito. Estamos
agora para começar, a 28 de junho, por convocação
de Bento XVI, o Ano Paulino, que é mais uma motivação
fantástica para nós aprendermos de São Paulo esse
espírito de discípulo missionário. Então há
muita coisa bonita programada e a ser programada. Estamos dando os primeiros
passos, mas é o sopro do Espírito que aparece claramente
no Documento de Aparecida e, mais que no documento, no evento da Conferência
de Aparecida. Nós temos uma grande alegria de perceber a Igreja
despertando para essa missão.
– Pode-se dizer que a missão continental
é uma das conseqüências do aprofundamento da amizade
com Cristo de que fala a Conferência de Aparecia?
– Dom Sérgio Braschi:
- Aparecida fala dos cinco passos que são uma
pedagogia inspirada no que aconteceu com os discípulos de Jesus
e que têm de acontecer conosco e se repetir no decorrer da vida.
Começa com um encontro vivo e profundo com Cristo.
Desse encontro vem uma conversão. Isto é, uma mudança
de vida, de mentalidade. Então após o encontro com Cristo
vem o segundo momento que é a conversão, que vai se repetir
no decorrer da vida, pois não é apenas uma vez que a gente
se converte. Esse segundo passo leva ao terceiro, que é o discipulado.
O discípulo segue e imita o Mestre. Procura reproduzir na sua vida
as opções de Jesus, que tinham como fundamento fazer a vontade
do Pai. Desembocamos então no quarto aspecto, que é a comunhão.
Porque ninguém vive todo esse processo sozinho, mas sempre na comunidade.
O quinto aspecto é a missão. A gente não vai ser
missionário se não fizer esse caminho. O missionário
deverá constantemente reviver no seu coração o encontro
com Jesus.
Zenit
Home-page
© 2008 PIME-Net
Copyright © PIME-Net
Reprodução grátis desde que cite a fonte.
Enviar eventuais sugestões ou criticas para:
Redação - PIME-Net
Rua Joaquim Tavora n.º 686 - Vila Mariana
São Paulo - 04015-011
e-mail |