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BRASIL: 07/05/2008
Ecologia
Desmatamento da Amazônia é tema de seminário em Belém
Nesta terça e quarta (6 e 7) encontro reúne
representantes de setores governamentais, instituições de
pesquisa e da sociedade civil. Fomentar a interlocução entre
diferentes atores sociais interessados em combater a devastação
da floresta amazônica e sistematizar recomendações
aos tomadores de decisão estão entre os principais objetivos
do seminário "Desmatamento da Amazônia:
um diálogo necessário. É possível?",
que será realizado nos dias 6 e 7 de maio,das 8h30 às 18h,no
Auditório do campus de pesquisa do Museu Emílio Goeldi,
Av. Perimetral, s/n, em Belém. Promovido pelo Museu Paraense Emílio
Goeldi (MPEG), em parceria com o Governo do Estado, por meio do Instituto
de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará
(Idesp), o evento reunirá gestores públicos, pesquisadores,
representantes do setor empresarial e de organizações não-governamentais
em torno da discussão que se tornou um desafio de interesse mundial.
De acordo com Ima Vieira, diretora do museu, o seminário
ajudará a sociedade a conhecer os pontos de vista, muitas vezes
divergentes, de cada um desses setores, entendendo também as alternativas
apontadas por eles para a superação do problema. "Os
órgãos governamentais estão tomando ações
efetivas de combate e controle às ações de desmatamento.
Por sua vez, o setor privado reclama que estas medidas afetam a economia,
enquanto as ONGs divulgam estudos de desmatamento e monitoramento que
contradizem os dados de institutos públicos de pesquisa. Com isso,
a sociedade está confusa e precisa entender o discurso utilizado
em cada setor", explicou. O presidente do Idesp, Peter Toledo, ressalta
que as discussões serão incrementadas pela presença
da academia, que ajudará os participantes a fazerem uma leitura
do processo de ocupação da Amazônia. "Em 1992,
o evento 'Sindamazônia', realizado pelo Governo do Pará,
já tratava a questão do desmatamento.
Agora, temos a oportunidade de reunir boa parte das pessoas
que participaram daquela discussão e fazer um balanço dos
desafios que se arrastam desde as décadas anteriores e os avanços
conquistados em uma região que demonstra um grande dinamismo em
termos de desenvolvimento socioeconômico". Para as discussões
sobre estudos, políticas públicas, desempenho do mercado
e da mobilização social estarão presentes pesquisadores
de instituições de ensino e pesquisa com importantes contribuições
para a região, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe) e as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Pará
(UFPA), a Embrapa Amazônia Oriental e o Museu Goeldi. Também
participarão movimentos sociais e organizações não-governamentais
de reconhecido engajamento na área socioambiental, como o Greenpeace,
a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Associação
Amigos da Terra, a Conservação Internacional (CI-Brasil)
e os institutos de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Homem
e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O setor empresarial será representado pela Associação
das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Pará (Aimex)
e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará
(Faepa). Entre os gestores públicos, estarão a Secretaria
de Meio Ambiente do Pará (Sema) e o Instituto de Florestas do Pará
(Ideflor), a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso e o Ministério
do Meio Ambiente (MMA). O seminário será realizado no auditório
do campus de pesquisa do Museu Goeldi e conta com o apoio da Rede Temática
em Pesquisa de Modelagem Ambiental da Amazônia (Geoma). As inscrições
são gratuitas e serão realizadas na abertura do evento.
Desmatamento - Um dos mais recentes estudos do Inpe demonstrou que, entre
os meses de agosto e dezembro de 2007, o desmatamento na região
amazônica foi de 3,2 mil quilômetros quadrados, uma área
duas vezes maior que a cidade de São Paulo.
O estado do Pará foi o segundo que mais contribuiu
com esses números, atrás apenas do Mato Grosso. Aliada à
derrubada indiscriminada da floresta está uma série de outros
problemas cruciais, como a perda da biodiversidade, a influência
sobre ciclo hidrológico regional e a exploração de
trabalhadores e populações locais. Para enfrentar o problema,
uma das frentes de atuação do Governo Federal tem se dado
com a operação "Arco de Fogo", desencadeada em
fevereiro deste ano, a fim de combater a extração e venda
clandestina de madeira. Além do Pará, onde a operação
conta com o apoio do Governo do Estado, as ações alcançam
também os estados do Mato Grosso e Rondônia. Até o
início deste mês, já foram aplicados R$ 31,3 milhões
em multas e apreendidos 25,8 mil m³ de madeira serrada e em tora
nesses três estados.
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