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BRASIL: 09/05/2008
Jovens
Arrogância de minoria quer tachar juventude brasileira de abortista,
comenta bispo
Um bispo no Brasil especialista em bioética considera
que a recente Conferência da Juventude realizada em Brasília,
que apontou o aborto entre as prioridades dos jovens, revela a «arrogância»
e «prepotência» de uma minoria que quer a legalização
do aborto no país. A 1.ª Conferência Nacional da Juventude
reuniu 2 mil delegados, em Brasília, de 27 a 30/04. Os participantes
elegeram e formataram 22 prioridades, de um universo de 4,5 mil propostas
apontadas por conferências estaduais de jovens realizadas entre
os meses de fevereiro e março.
A prioridade número 11 diz:
- «Implementar políticas públicas
de promoção dos direitos sexuais e direitos reprodutivos
das jovens mulheres, garantindo mecanismos que evitem mortes maternas,
aplicando a lei de planejamento familiar, garantindo o acesso a métodos
contraceptivos e a legalização do aborto».
A Conferência foi promovida pelo governo brasileiro
por meio do Conselho Nacional de Juventude, um órgão consultivo
que assessora o governo na formulação de diretrizes da ação
governamental. Esse Conselho conta com 60 membros, sendo 20 integrantes
de órgãos governamentais e 40 representantes de movimentos
e organizações juvenis. Ao lado da presença da Pastoral
da Juventude, com um membro (que representaria em nome dos jovens os cerca
de 74% da população brasileira que é formada por
católicos), figuram entidades como Associação Brasileira
de Gays, Lésbicas, Travestis; Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays,
Lésbicas e Aliados; Jovens Feministas de São Paulo; União
da Juventude Socialista, entre outras.
Dom João Carlos Petrini, bispo auxiliar de Salvador
(Bahia) e perito no campo da bioética na Conferência de Aparecida,
destacou a Zenit que as pesquisas de opinião pública realizadas
no Brasil revelam que «a grande maioria da população
brasileira é contrária ao aborto e favorável à
proteção e à defesa da vida». De fato, pesquisa
realizada em março passado pelo Instituto Datafolha aponta que
apenas 10% da população querem a descriminalização
do aborto no país. Mas --prossegue o bispo--, «apesar disso,
há uma arrogância, como se quem está com a verdade
é essa minoria que de qualquer jeito quer uma brecha para que seja
aprovada a legislação que interessa a ela». Dom Petrini
confessou a Zenit que ficou «escandalizado» com alguns resultados
desse encontro em Brasília. Porque, de acordo com o bispo, há
diferentes «investidas» de «um certo grupo de poder
para conseguir a aprovação do aborto».
Dom Petrini considera que essa minoria «lança
mão de todos os recursos possíveis e inclusive com uma certa
prepotência», ao induzir grupos que têm «outras
finalidades e outros interesses» a uma suposta promoção
do aborto, como neste caso, em que uma Conferência como a recém-realizada
se atribui o direito de falar em nome de toda juventude brasileira. Os
jovens brasileiros «amam a vida e amam a própria vida, e
vivem com entusiasmo e pretendem defender sempre a vida», afirma
o bispo. A juventude «estuda, trabalha, se esforça»,
«pensando o próprio projeto de vida de uma maneira construtiva
e positiva». Dentro desse horizonte, de acordo com o bispo, «não
tem o menor espaço a visão do aborto, porque essa faz parte
daquela outra parte da nação que pensa em destruir mais,
como se uma força de destruição fosse indispensável
para poder ter um futuro melhor».
Zenit
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