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COSTA DO MARFIM: 18/04/2008
Política
“Empenhem-se para fazer com que o voto seja honesto e transparente”
“Agora que a data das eleições é
conhecida, pedimos aos marfinenses que se mobilizem para trabalhar com
calma nos preparativos das eleições, para que sejam honestas
e transparentes”. É o apelo lançado em nome dos Bispos
da Costa do Marfim, por Dom Barthélemy Djabla, Arcebispo de Gagnoa
e Vice-presidente da Conferência Episcopal Marfinense, no final
de um encontro com Henri Konan Bédié Presidente do Partido
Democrático da Costa do Marfim (PDCI), um dos candidaos nas próximas
eleições presidenciais que acontecerão em 30 de novembro.
A data do pleito eleitoral, muitas vezes adiada, foi anunciada em 14 de
abril depois de uma reunião extraordinária do governo e
foi acordada entre o Presidente Laurent Gbagbo, o Premier Guillaume Soro
e os dois principais líderes da oposição, Konan Bédié
e o ex-Premier Alassane Ouattara.
Estes últimos pediram ao Primeiro Ministro Soro
que “seja um árbitro imparcial na organização
das eleições”, segundo afirmou um porta-voz do governo.
A comunicação da data das eleições foi bem
recebida pelos marfinenses que vêem no escrutínio uma etapa
decisiva no processo de estabilização do País, iniciado
com os acordos de Ouagadougou de março de 2007, que previam a realização
das eleições no início de 2008. O escrutínio
foi adiado para permitir o censo do eleitorado. Foi encarregado de realizá-lo
o Instituto Nacional de Estatística junto com uma empresa francesa,
que fornecerá as novas carteiras de identidade. A Igreja católica
também manifestou a sua satisfação com o anúncio
da data da eleição.
“Isso nos conforta” afirmou Dom Djabla. O
Vice-presidente da Conferência Episcopal Marfinense reiterou que
a Igreja está a serviço de toda a população,
tanto cristã como de outras confissões religiosas, e especificou
que os Bispos quiseram encontrar o Presidente do PDCI porque querem levar
a sua contribuição no âmbito do processo de paz. Os
Bispos já encontraram Alassane Ouattara e o Premier Soro. Dom Djabla,
finalmente, destacou que a Igreja, enquanto instituição
divina, não se mistura nas questões políticas, mas
tem o dever de intervir para ajudar os dirigentes do País a fazerem
respeitar os direitos do homem e a dignidade do ser humano criado a imagem
de Deus.
A Costa do Marfim está saindo da crise
mais grave de sua história, iniciada em setembro de 2002 quando,
depois de um fracassado golpe, o País se dividiu em dois:
- o nordeste controlado pelos rebeldes das “Forças
Novas”, o resto sob controle do Presidente Gbagbo.
A intervenção da comunidade internacional
permitiu cessar o conflito mas congelou por anos a situação
sobre o território. Somente com os acordos de Ouagadougou foi iniciada
uma volta à normalidade.
Fides
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