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ESPANHA: 22/04/2008
Criança
Numerosas organizações humanitárias pedem que o dia
16 de abril seja declarado Dia Mundial contra a escravidão infantil,
“um holocausto de dimensões planetárias e em aumento”
O Movimento Cultural Cristão, junto com outras
organizações de inspiração cristã,
lançou uma iniciativa para pedir que o dia 16 de abril seja declarado
Dia Mundial contra a escravidão infantil. A esse propósito,
exatamente hoje, estão previstas diversas iniciativas na Espanha
e na América Latina. Na Espanha, aderiram mais de 60 municípios
das principais cidades do País, além de muitos movimentos.
Segundo denuncia o Movimento Cultural Cristão num comunicado, “as
crianças representam mais de 10 por cento do potencial de mão-de-obra,
estimado em mais de 3.000 milhões de pessoas”. Na Espanha,
“2 milhões de crianças vivem abaixo da linha de pobreza,
e entre estas, um número que oscila entre 500.000 e 1.000.000 é
obrigado a trabalhar, abandonando as brincadeiras e a escola.
Tudo isso sem que ninguém tenha se preocupado
em realizar e atualizar qualquer estudo sério sobre o tema”.
“A escravidão infantil é o maior problema relacionado
ao trabalho e, portanto, sindical no mundo. No entanto, o sindicalismo
internacional e os partidos políticos se preocupam somente de forma
secundária com essa questão. Para eles, a escravidão
infantil não existe” lê-se ainda na nota. Mas “as
crianças e os adolescentes formam o grupo trabalhador mais vulnerável
e indefeso”. De fato, “grandes empresas multinacionais utilizam
meninos e meninas, mediante subcontratos nos Países pobres, para
diminuir o custo de uma mercadoria que é vendida em outros lugares
e da qual as crianças não poderiam nunca se beneficiar”.
"A escravidão infantil é um holocausto de dimensões
planetárias e está aumentando - lê-se no comunicado
-. Estamos profundamente envolvidos com isso”.
Além disso, o fenômeno está se transformando
“num instrumento da guerra comercial internacional”. Para
estas organizações que patrocinam a abolição
da escravidão infantil, “não será possível
derrotar este mal se sindicatos e partidos políticos não
lutarem contra o desemprego e a precariedade das condições
de trabalho impostas aos adultos, contra os salários de fome, os
contratos temporários e pelo acesso aos serviços sociais
básicos”. A declaração de 16 de abril como
Dia Mundial contra a escravidão infantil deve-se ao fato de que
nesse mesmo dia, em 1995, foi assassinado Iqbal Mashib, símbolo
dos 400 milhões de crianças escravas. Iqbal era um menino
paquistanês de 12 anos, cristão num País de maioria
muçulmana. Trabalhou como escravo desde os 4 anos para as máfias
do setor têxtil de seu País.
Junto com outras crianças, como sindicalista,
obteve a liberdade, e começou uma luta associada pela libertação
de milhões de crianças escravas existentes no mundo. Esse
fato trouxe-lhe reconhecimento internacional e a possibilidade de falar
diante de parlamentos e universidades da América do Norte e da
Europa, denunciando as responsabilidades dos habitantes do Norte do Planeta
em relação à miséria da infância do
Sul. Não perdoaram essa sua batalha, e na sua volta, a máfia
do setor têxtil assassinou-o no domingo de Ressurreição
de 1995. Doze anos depois, a chama acesa por esse menino batalhador está
se espalhando pelo mundo inteiro, tanto é que se multiplicam os
atos e as iniciativas para abolir a escravidão infantil e para
pedir que o dia 16 de abril seja declarado Dia Mundial contra a escravidão
infantil.
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