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ÍNDIA: 02/05/2008
Testemunho
Missão entre os tribais no Nordeste do país: a Igreja oferece
o valioso trabalho de educação
São pequenas comunidades que, com poucos meios,
em áreas remotas e de difícil acesso, anunciam o Evangelho
com simplicidade. Com um trabalho freqüentemente silencioso, e distante
dos grandes palcos, sacerdotes, religiosos, missionários e leigos
trabalham para a evangelização das populações
tribais no Nordeste da Índia, conjugando anúncio e desenvolvimento
social, catequese e apostolado. É a experiência que contam
à Agência Fides dois Bispos do estado de Assam, no Nordeste
da Índia, 78 mil km de montanhas e colinas, onde vivem mais de
26 milhões de pessoas, em larga escala pertencentes a tribos e
etnias locais. Trata-se das chamadas “tribos de fronteira”
(entre as 212 registradas oficialmente pela Constituição
Indiana), concentradas nos estados do Nordeste como Arunachal Pradesh,
Assam, Manipur, Meghalaya, Mizoram, Nagaland e Tripura.
Num mosaico de etnias e vilarejos autóctones (os
grupos indígenas que povoam a região do Nordeste da Índia
são mais de 300), numa sociedade como a de Assam, historicamente
multicultural, multirreligiosa, multiétnica, multilinguística,
a Igreja católica oferece às comunidades indígenas
um valioso trabalho de alfabetização e de educação,
de serviços sociais e de saúde que os ajuda a se inserir
na comunidade civil e social da grande nação indiana, onde
estes povos, de outra forma, correriam o risco de se sentirem um “corpo
estranho”. A Agência Fides encontrou Dom Thomas Pulloppillil,
Bispo de Bongaigaon, e Dom John Moolachira, Bispo de Diphu, Pastores de
duas comunidades limítrofes, unidos pelos mesmos problemas, pela
mesma base social do território, pelos mesmos desafios pastorais.
“Em Bongaigaon - conta o Bispo Pulloppillil - aos
65 mil católicos presentes, ocupamo-nos em levar o Evangelho, mas
também bem estar e desenvolvimento, a uma comunidade de indígenas
Boros. É a tribo mais numerosa em Assame e de todo o Nordeste.
São de origem e de ascendência mongol-tibetanos, mas vivem
há centenas de anos nesse território, inclusive em alguma
áreas do Nepal e Bangladesh. Muitos deles foram cristianizados,
graças ao anúncio dos missionários. Atualmente, oferecemos
a eles uma obra de formação para a fé, educação
e tratamentos de saúde, que se tornam fundamentais para a vida
de suas comunidades.
Um aspecto em que insistimos muito é a
educação para a paz e para a reconciliação:
- a região do Nordeste, de fato, enfrenta uma
série de micro-conflitos entre comunidades de etnias diversas,
que podem se arrastar por anos e prejudicam gravemente o desenvolvimento
local.
Continuamos, graças a cerca de 15 sacerdotes,
150 irmãs e a numerosos catequistas leigos, a evangelizar os vilarejos
que se situam em território diocesano”.
Dom John Moolachira é Bispo há
cerca de um ano e na sua diocese de Diphu são três as etnias
mais presentes:
- Karbi, Garo, Adivasi.
Entre os desafios principais “há o de, para
os operadores pastorais, aprender o idioma deles para poderem se comunicar
melhor e tocar os seus corações. É essencial para
realizar a obra de evangelização, conduzida com zelo de
vilarejo em vilarejo. E também para o trabalho de educação,
realizado através de escolas que são abertas nas paróquias,
graças ao trabalho de religiosos e leigos. Outra área em
que a comunidade católica se empenha é o da assistência
de saúde”. Tudo isso está incluído num plano
pastoral qüinqüenal que o Bispo e sua equipe começaram
a realiza há pouco tempo.
Os dois Bispos explicam à Agência
Fides as diretrizes da missão da Igreja entre os grupos tribais:
- estes grupos, que vivem em áreas remotas e de
difícil acesso, continuam a levar a sua vida segundo as tradições
seculares das tribos, num modelo de mera sobrevivência, com agricultura
e criação de animais necessários para a subsistência.
Desse modo, estão excluídos do sistema
social e cultural da sociedade indiana, e os seus filhos não têm
a possibilidade de freqüentar as escolas públicas. A educação
das comunidades tribais é, assim, um ponto essencial e um meio
com que a Igreja contribui para a transformação e a melhoria
da sociedade indiana. Para as comunidades tribais, marginalizadas pelo
sistema educacional de massa, é vital uma formação
voltada para temas e técnicas que possam ajudá-las a melhorar
os eu padrão de vida. Por meio de um trabalho de promoção
humana, a atividade social se torna o caminho para realizar a missão
de atenção a cada homem, própria do cristão.
Nesta situação, algumas organizações não-governamentais
e associações cristãs ajudam os pequenos agricultores,
reunindo-os em pequenas cooperativas, ensinando-lhes novas técnicas
de plantio, introduzindo culturas mais rentáveis, que possam melhorar
a produtividade e oferecer no mercado agrícola produtos a preços
competitivos.
No Nordeste da Índia a semente da fé
foi implantada pelos missionários Salvatorianos há mais
de cem anos (apesar dos primeiros contatos com o cristianismo sejam do
século XVI):
- alguns missionários corajosos se aventuraram
numa região remota do estado de Assam para levar o anúncio
da Boa Notícia, seguidos depois pelos Salesianos.
Entre os frutos que virão da obra missionária
de tantos religiosos e leigos entre os tribais há as novas vocações.
As populações tribais da Índia
abraçam com alegria a mensagem cristã:
- mesmo nos vilarejos mais remotos na parte oriental
da Índia existem comunidades que vivem a fé com grande devoção
e geram vocações sacerdotais e religiosas.
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