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NIGÉRIA: 12/05/2008
Desenvolvimento
“Utilizem o petróleo para o nosso desenvolvimento”,
pedem os habitantes do Delta
Uma das razões, reais ou presumidas, citada pelos
meios de comunicação internacionais para explicar o aumento
dos preços do petróleo é a crise no Delta do Níger,
onde está concentrada a produção nigeriana de petróleo.
A presença de alguns grupos armados, o principal deles é
o Movimento para a Emancipação do Delta do Níger
(MEND), atrasa e em alguns casos, bloqueia, periodicamente as atividades
das multinacionais que trabalham na região. O MEND além
de atacar e sabotar as instalações extrativistas, é
famoso pelos seqüestros do pessoal das companhias petrolíferas,
que é solto em troca de um resgate. Na origem da formação
destes movimentos armados estão as reivindicações
das populações da região para obter uma maior parte
dos lucros gerados pelo petróleo, também para compensar
os graves danos ecológicos causados pelas atividades extrativistas.
As condições de vida das populações
locais não melhoraram, e pior, a poluição causada
pelo petróleo que vaza das instalações petrolíferas,
criou sérios danos às atividades econômicas tradicionais,
a pesca e a agricultura. Os Bispos nigerianos denunciaram muitas vezes
os desperdícios e as malversações ligadas à
exploração do petróleo e o fato de que os lucros
gerados pela venda do petróleo não sejam utilizados em benefício
dos nigerianos. Na tentativa de dar uma resposta às reivindicações
das populações locais, no ano 2000 o Presidente Olusegun
Obasanjo criou a Comissão para o Desenvolvimento do Delta do Níger
(NDDC, Niger Delta Development Commission) com a tarefa de desenvolver
infra-estruturas sociais e buscar soluções para a poluição
causada pela extração petrolífera.
Este organismo, junto com a associação
dos advogados nigerianos (Nigerian Bar Association, NBA) organizou uma
conversa de paz (Niger Delta Peace Parley) que foi concluída no
dia 7 de maio, com uma série de solicitações a serem
apresentadas ao Parlamento nigeriano. Pede-se em primeiro lugar que a
propriedade das reservas petrolíferas em terra firme (onshore)
e no mar (offshore) pertença às populações
do Delta. As comunidades locais devem participar das decisões relativas
às atividades de exploração e de produção
do petróleo. Atualmente, de fato, a lei nigeriana prevê a
expropriação dos direitos das comunidades locais nos casos
de exploração do petróleo, diferentemente de outros
recursos naturais. Solicita-se o uso das novas tecnologias de geoinformação,
para criar um mapa preciso das diversas áreas do Delta a fim de
distribuir os recursos entre as diversas comunidades locais.
As companhias petrolíferas devem assumir a responsabilidade
pelos danos que causarem ao ambiente. Para financiar projetos de desenvolvimento
e de melhoria das condições de vida das populações,
pede-se a criação de um fundo, o Niger Delta Finance Corporation,
com a participação das companhias petrolíferas. Estas
solicitações chegam num momento delicado por causa da abertura
próxima do processo de um dos líderes do MEND, Henry Okah,
preso em Angola e depois extraditado para a Nigéria. Por trás
das reivindicações políticas, além disso,
há interesses puramente criminais. Uma boa parte dos grupos armados
do Delta atua no contrabando de petróleo, roubado ao furarem os
oleodutos, e em outras atividades criminais.
Fides
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