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PERU: 15/05/2008
Igreja Missionária
O Card. Juan Luis Cipriani Thorne, Arcebispo de Lima, em entrevista
“Aparecida é uma voz de esperança
e um chamado para fortalecer a identidade dos católicos, a espiritualidade
sacramental e a caridade”:
- entrevista do Arcebispo de Lima, Card. Juan Luis Cipriani
O Card. Juan Luis Cipriani Thorne, Arcebispo de Lima,
em entrevista à Agência Fides concedida durante a sua estada
em Roma para a celebração do 50.º aniversário
da Pontifícia Comissão para a América Latina, ilustra
o significado e as etapas da Grande Missão de Lima, por Ele instituída.
Eminência, poderia nos explicar, passado
um ano, o que representou a V Conferência Geral de Aparecida para
o continente americano?
Aparecida é uma voz de esperança e um chamado
à ação.
Em outras palavras, Aparecida nos diz: - “acordai,
o Senhor vos está chamando”.
Penso que Aparecida tenha tido um efeito muito importante
e por isso podemos falar da experiência de Aparecida. Uma experiência
marcada em parte pelo contexto em que foi realizada, o Santuário
Mariano, a Adoração do Santíssimo Sacramento, a Eucaristia
diária. Tudo isso gerou um clima de fervor que depois ajudou no
documento final. Aparecida foi um convite para ir ao encontro de Cristo.
Começa-se a ser cristão a partir de uma experiência
de encontro com Cristo, e isso foi exatamente o que se viveu em Aparecida.
Os principais aspectos que eu destacarei da experiência de Aparecida
são três.
Em primeiro lugar, um sério chamado para a formação,
a identidade do católico em todos os níveis. Em segundo
lugar, um intenso chamado à espiritualidade da comunhão,
à espiritualidade sacramental e eucarística, com uma intensa
carga espiritual. E em terceiro lugar, uma proposta clara de amor ao próximo,
porque a caridade deve ser o caráter distintivo da ação
social da Igreja, em todas as frentes. A V Conferência foi concluída
com um convite a realizar uma Grande Missão Continental. Mas esta
missão deve partir do coração e da mente de cada
Pastor de cada uma das Igrejas locais. Definitivamente, é ele o
primeiro responsável pela missão na sua Diocese.
Lima foi a primeira Diocese a dar início
a esta Grande Missão. Como está sendo realizada? Quais são
os seus objetivos?
Em Lima iniciamos a Grande Missão com uma Santa
Missa celebrada na Catedral, no dia 28 de abril, Solenidade de São
Turíbio de Mogroviejo, Padroeiro do Episcopado Latino-Americano.
O desafio principal da Grande Missão é intensificar com
novo ardor e com expressões simples o dever de evangelizar, missão
principal da Igreja, aproximando-se mais das pessoas. Para isso são
privilegiadas as Escolas paroquiais de formação para os
fiéis leigos e a catequese de preparação para os
sacramentos da iniciação cristã. A Missão
se divide em várias fases. Na primeira fase estão sendo
preparadas as escolas de formação nas paróquias.
Também os Movimentos e as Congregações religiosas
que realizam tarefas pastorais na Arquidiocese, fiéis aos seus
carismas, organizarão as suas respectivas escolas de formação
religiosa, dedicando uma atenção especial ao ensino da Religião
nas Escolas, nos Institutos Superiores e nas Universidades.
Elaboramos um Guia de animação
e de orientação para ler e colocar em prática o conteúdo
do Documento final de Aparecida, e em especial o seu 6.º capítulo:
- “O itinerário formativo dos discípulos
missionários”.
Assim, durante os primeiros meses estamos fortalecendo
a formação dos missionários. Passaremos em seguida
às visitas, não só nas casas. Mas também nos
hospitais, nas prisões, nas escolas, para que surjam em todos esses
lugares cenáculos, ou seja, locais onde a família se reencontra
para a formação. Serão formados também cenáculos
de bairro, que se reunirão 2 vezes a cada semana para meditar a
Palavra de Deus. Realizaremos as visitas levando alguns pequenos opúsculos
que elaboramos sobre diversos temas. Tudo isso representa um grande esforço
durante o primeiro ano. Na segunda etapa, que começará no
dia 27/04/2009, serão realizados vários eventos para determinados
grupos de pessoas.
Por exemplo, programamos a realização de
um Encontro da Juventude, um Simpósio sobre a Família e
a Celebração Litúrgica, um Simpósio Mariano
e a Celebração Litúrgica, um Encontro com o Mundo
da Cultura, um Grande Concurso de Catequese para as escolas, um Encontro
com o mundo da Saúde, um Simpósio sobre a Doutrina Social
da Igreja, um Encontro com o mundo do trabalho. Finalmente, no Terceiro
Ano, programamos a realização de um Grande Congresso Eucarístico
e Mariano. A esse propósito serão organizados dias eucarísticos
e marianos preparatórios. Como se vê, nesta Grande Missão
procuramos tornar tudo muito prático. Não há muitas
estruturas, somente uma Comissão central encarregada de definir
as datas e os temas e uma Comissão Pastoral que continua a responder
às questões que surgem a cada momento. Queremos que seja
uma missão para todos e de todos, por isso realizamos a parte reuniões
prévias com todos os Movimentos.
Quais são os frutos esperados a partir
dessa intensa atividade?
Como fruto desta Missão, pedimos a Deus cinco
coisas. Principalmente, a participação frutuosa na Missa
dominical. E, portanto, a realização de um encontro com
Cristo vivo na Adoração do Santíssimo Sacramento,
dando especial relevo às Capelas de Adoração ao Santíssimo.
Em segundo lugar, o recebimento dos Sacramentos de Iniciação,
ou seja, criar as condições para administrar os sacramentos,
que devem ser recebidos com a preparação adequada, sem atrasos
não necessários, facilitando os horários e a atenção
que permita aos pais e aos padrinhos assistirem à formação
preparatória.
Nesse sentido, será também muito importante
o tempo que os sacerdotes dedicarão à administração
do Sacramento da Reconciliação, a fim de que a esperança
e a alegria da conversão impulsionem a vida do cristão.
Queremos também que se reze com o Rosário em família
e, finalmente, que se assuma o voluntariado como forma de Caridade. Este
último aspecto é também muito sugestivo, visto que
existem mil formas de servir os outros, como por exemplo visitar o próprio
bairro, os doentes, os idosos ou os prisioneiros. Não queremos
que se limite a um tipo de ideologia mas que as pessoas doem realmente
parte de seu tempo e algo de sim próprias aos outros.
Fides
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