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REPÚBLICA DEMOCRÁTICA
DO CONGO: 08/12/2008
Testemunho
Ocorridos que estão acontecendo no país contanto por um
missionário de Goma:
- “as pessoas ainda têm muito medo, vivem como se estivessem
em terra estrangeira, com desconfiança e angústia, especialmente
durante a noite”
“Apesar de já há alguns dias o interesse
dos meios de comunicação por esta parte do mundo tenha drasticamente
diminuído, o conflito real se mantém constante na região
do Kivu, a Leste da República Democrática do Congo”.
É o testemunho de Pe. Juanjo Aguado, missionário jesuíta
espanhol, que desde o mês de agosto está em Goma (República
Democrática do Congo), onde faz parte de uma nova comunidade do
Serviço Jesuíta para os Refugiados (SJR), nascida para levar
adiante um projeto de educação em Rutshuru. “Os habitantes,
os habituais e os milhares de deslocados que vivem nos campos, tentam
se restabelecer” continua o jesuíta. Assim, por exemplo,
em 24 de novembro, foram reabertas as escolas da localidade de Rutshuru.
Todavia, “esta decisão foi um fracasso”. Em quase todas,
nenhuma criança compareceu.
Como explica o sacerdote, isso se deve principalmente
ao medo: - “as pessoas ainda têm medo, muito medo.
Apesar de não terem acontecido episódios
tão tristes quanto o massacre de 5 de novembro, os pais temem que
os seus filhos sejam recrutados com a força ou que as meninas sejam
utilizadas como domésticas ou sejam até mesmo violentadas.
Tudo isso aconteceu nos últimos anos em grande escala e continua
a acontecer também agora, infelizmente. As pessoas ainda vivem
em terra estrangeira, com desconfiança e angústia, especialmente
à noite”. Além disso, “algumas escolas foram
utilizadas nas últimas semanas como acampamentos militares, enquanto
as escolas do projeto do Serviço Jesuíta para os Refugiados
tiveram roubados os livros que os alunos compartilham e um roubo no escritório
do diretor”.
Nos últimos dias, o missionário jesuíta
visitou o campo dos refugiados de Kiwanja, localidade a 5 Km. de Rutshuru,
com 6.000 pessoas. Está colado ao quartel geral da MONUC (Forças
de Segurança da ONU). Como ele próprio relata, nesse campo
“as tendas se amontoam umas sobre as outras, tentando aproveitar
ao máximo o pouco espaço diante da base militar. É
único lugar onde as pessoas têm um mínimo (muito mínimo)
de segurança. Na maioria, são deslocados que viviam antes
nos campos desmantelados no dia 1 de novembro ao redor de Rutshuru e Kiwanja.
Apesar das novas autoridades fazerem todo o possível para que deixem
o campo e retornem às suas casas, a situação é
de insegurança absoluta, porque estão na área em
que os combates continuam”.
Além disso, nesse campo “não têm
água e nem alimentos, pois, sendo deslocados não residentes
reconhecidos por Kiwanja, não puderam aproveitar a distribuição
de alimentos que foi feita há duas semanas” explica o jesuíta.
“As ONGs estão fazendo um acordo com as novas autoridades
para ter a permissão de dar a eles alguma coisa na segunda-feira
- continua o testemunho - mas é complicado, porque, segundo as
autoridades, se algo lhes for dado, dificilmente vão querer voltar
para as suas casas”. “É gente humilde e simples, que
quer voltar para casa casa. Gente solidária e assustada. Gente
que gosta de falar e busca sempre motivos de esperança” conclui
o missionário.
Fides
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