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VATICANO: 10/04/2008
Perseguição
Cristãos autênticos sofrem perseguição também
no século XXI, adverte Bento XVI
O Papa Bento XVI assegurou que o século XXI "se
abriu no sinal do martírio" e explicou que "quando os
cristãos são verdadeiramente levedura, luz e sal da terra,
tornam-se também, como Jesus, objeto de perseguição,
sinal de contradição". O Santo Padre visitou a Basílica
romana de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, com motivo do 40.º
aniversário da Comunidade de São Egidio, onde presidiu uma
celebração da Palavra em memória das Testemunhas
da Fé dos séculos XX e XXI. Nesta entrevista assegurou que
"a convivência fraternal, o amor, a fé, as tomadas de
posição a favor dos mais pequeninos e pobres suscitam às
vezes uma aversão violenta. Que útil é então
olhar ao testemunho luminoso dos que nos precederam em nome de uma fidelidade
heróica até o martírio!".
Meditando sobre o lugar, que lembra aos cristãos
sacrificados pela fé, o Papa questionou:
- "por que estes mártires irmãos nossos
não tentaram salvar a toda costa o bem insubstituível da
vida?
- por que continuaram servindo à Igreja não
obstante as graves ameaça e as intimidações?".
"Aqui sentimos ressonar o testemunho eloqüente
daqueles que, não só no século XX, mas também
desde os inícios da Igreja, vivendo o amor ofereceram no martírio
sua vida a Cristo" e "lavaram suas túnicas branqueando-as
com o sangue do Cordeiro", indicou. Nesta última frase do
Apocalipse, disse o Santo Padre, está a resposta ao porquê
do martírio. A linguagem cifrada de San Juan contém "uma
referência precisa à chama branca do amor que levou a Cristo
a derramar seu sangue por nós. Em virtude desse sangue fomos purificados.
Notando-se nessa chama, também os mártires derramaram seu
sangue e se purificaram no amor". Bento XVI recordou depois a frase
de Cristo "Ninguém tem amor maior do que que dá a vida
a vida pelos seus irmãos" e sublinhou que "tudas as testemunhas
da fé vivem este "amor maior", conformando-se a Cristo
e "aceitando o sacrifício até o final, sem colocar
limites ao dom do amor e ao serviço da fé".
"Nos detendo diante dos seis altares que lembram
aos cristãos cansados sob a violência totalitária
do comunismo, do nazismo, aos assassinados na América, na Ásia
e Oceania, na Espanha e México, na África, percorremos idealmente
muitos acontecimentos dolorosos do século passado. Muitos caíram
enquanto cumpriam a missão evangelizadora da Igreja; seu sangue
se misturou com a dos cristãos nativos aos que tinham comunicado
a fé", adicionou. Do mesmo modo, o Santo Padre recordou que
"outros, freqüentemente em condições de minoria
foram assassinados por ódio à fé. E não são
poucos os que se imolaram por não abandonar aos necessitados e
aos fiéis que tinham sido confiados a eles sem temor a ameaças
ou perigos. Estes irmãos e nossas irmãs na fé formam
um grande afresco da humanidade cristã do século XX, um
afresco das Bem-aventuranças, vivido até o derramamento
de sangue". "Aparentemente a violência, os totalitarismos,
a perseguição, a cega brutalidade parecem mais fortes, sossegando
a voz das testemunhas da fé, que aos olhos dos homens podem parecer
derrotados pela história.
Mas Jesus ressuscitado ilumina seu testemunho
e assim compreendemos o sentido do martírio:
- o sangue dos mártires é semente de novos
cristãos.
Na derrota e na humilhação de quantos sofrem
pelo Evangelho atua uma força que o mundo não conhece. É
a força do amor, inerme e vitorioso, inclusive na aparente derrota.
É a força que desafia e vence à morte", continuou
o Papa. O Pontífice finalizou sua homilia convidando aos membros
da Comunidade de São Egidio a "imitar a coragem e a perseverança"
dos mártires em "servir ao Evangelho, especialmente entre
os mais pobres" e a ser "construtores de paz e de reconciliação
entre os que são inimigos ou se combatem".
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